Relatório aponta ano difícil para o Bahia financeiramente: ‘tendência é sofrer’

    Análise, no entanto, prevê um futuro promissor

    Foto: Divulgação

    Diversos setores da sociedade sofrem efeitos catastróficos com a pandemia do novo coronavírus, e no futebol não tem sido diferente, sobretudo, para os clubes brasileiros. Sem jogos por quatro meses, muitos times sofreram com cortes em cotas de patrocínio e foram forçados a modificar o planejamento para a temporada.

    O Bahia não foge a regra. De acordo com informações do relatório publicado na última terça-feira (28), pelo banco Itaú BBA, o tricolor terá um ano longo e difícil pela frente.

    “Com redução de bilheteria e chance menor de vender atletas, a tendência é sofrer ao longo do ano. Operar sem sobras traz riscos. Tanto é que a tendência é de que em 2020 o clube sofra bastante e precisará de muito jogo de cintura para manter a casa em ordem”, aponta o relatório.

    Segundo o banco, pesa a favor do Bahia o fato do clube ter um pequeno endividamento a curto prazo, sendo compatível com as receitas, tornando a administração mais fácil.

    A arrecadação total em 2019 foi de R$ 176 milhões, R$ 34 milhões a mais do que em 2018. Para 2020, o orçamento previa a entrada de R$ 179 milhões, dos quais R$ 30 milhões viriam com a venda de jogadores.

    “O Bahia vem fazendo um grande trabalho de recuperação financeira e estrutural. Os resultados são positivos, mas ainda inconsistentes. Muito em função da necessidade de acelerar investimentos e gastos para se tornar competitivo. O problema disso é que o clube se torna dependente dos resultados para fechar suas contas. Melhor desempenho significa mais dinheiro e com isso é possível manter os gastos elevados. Em 2019 foi possível fazer isso, mas dependendo da venda de atletas e de luvas de TV para fechar suas contas”, diz o relatório.

    A análise ainda prevê um futuro promissor para o Esquadrão, mas levanta questionamentos sobre o modelo de gestão nos próximos anos.

    “Alguns processos requerem paciência e tempo. Num clube de futebol este conceito contrasta com a necessidade – ou o desejo – de ser relevante. O Bahia faz a lição de casa, cria governança, desenvolve transparência, mas corre riscos que podem fazer o clube andar duas casas para trás. A pergunta que fica é se é necessário agir assim ou se é possível aguardar um pouco, consolidar as estruturas e depois iniciar um processo mais firme de crescimento e competitividade. O tempo dirá. O Bahia tem tudo para ser um dos clubes de destaque no futebol brasileiro nos próximos anos, se consolidando como força. Precisa paciência”, conclui o relatório.