O Vitória terminou o primeiro semestre de 2026 com R$ 497,8 milhões entre passivos e patrimônio social negativo, segundo os balancetes financeiros do clube. O valor, porém, não representa a dívida do Vitória. Desse total, R$ 197,8 milhões são passivos, enquanto outros R$ 300,3 milhões correspondem ao patrimônio social negativo do clube.
O principal alerta nas contas está no aumento dos valores que o clube precisa pagar nos próximos meses. Esse grupo de compromissos, chamado de passivo circulante na contabilidade, passou de R$ 247,98 milhões no primeiro trimestre para R$ 294,5 milhões em junho, um aumento de R$ 46,5 milhões, ou 18,8%, em apenas três meses.
Na comparação com dezembro de 2025, quando o passivo circulante era de R$ 185,6 milhões, o crescimento chega a 58,7% em seis meses.
Obrigações de curto prazo aumentam
O passivo circulante reúne as contas e compromissos que o clube precisa pagar no curto prazo. Nessa lista estão tributos, encargos, contas a pagar e valores relacionados a negociações de jogadores. Por isso, esse número não representa apenas as dívidas financeiras do Vitória.
Entre essas obrigações, os valores que o clube precisa pagar no curto prazo passaram de R$ 169,8 milhões no primeiro trimestre para R$ 204,5 milhões no segundo trimestre.
Os valores devidos em tributos também aumentaram, de R$ 62,9 milhões para R$ 74,6 milhões. Já as obrigações sociais e encargos subiram de R$ 26,6 milhões para R$ 39,7 milhões.
Outro destaque foi o aumento dos valores a pagar por negociações de jogadores, que praticamente dobraram no período. A conta passou de R$ 14,7 milhões no primeiro trimestre para R$ 29,8 milhões em junho. Os valores registrados como outros credores também cresceram, de R$ 78,2 milhões para R$ 90 milhões.
Por outro lado, as obrigações que o clube tem para pagar no longo prazo diminuíram. O passivo não circulante caiu de R$ 216,75 milhões para R$ 203,61 milhões entre o primeiro e o segundo trimestre.
Vitória melhora resultado, mas segue com patrimônio negativo
No primeiro semestre de 2026, o Vitória registrou déficit de R$ 8,6 milhões. O resultado, porém, apresentou melhora no segundo trimestre: entre abril e junho, o clube teve déficit de aproximadamente R$ 520 mil, contra R$ 8,1 milhões nos três primeiros meses do ano.
O clube também segue com patrimônio social negativo de R$ 300,3 milhões, conforme registrado nas demonstrações financeiras. O indicador mostra que as obrigações do Vitória superam seus ativos acumulados, situação que já vinha sendo apresentada nos balanços anteriores.
Apesar do crescimento das obrigações de curto prazo, os números não permitem afirmar que o Vitória tenha contraído R$ 90 milhões em novas dívidas no primeiro semestre. O aumento do passivo circulante entre o primeiro e o segundo trimestre foi de R$ 46,5 milhões, enquanto diferentes componentes da estrutura contábil tiveram comportamentos distintos no período.

