Advogada de repatriado vai processar Carla Zambelli por ataques e ameaças

    Deputada acusou Hasan Rabee de compartilhar mensagens ‘pró-terrorismo’

    A defesa de Hasan Rabee, um dos brasileiros repatriados da Faixa de Gaza na última segunda-feira (13), vai processar a deputada bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP) e mais 200 pessoas por ataques e ameaças nas redes sociais. A parlamentar o acusou publicamente de compartilhar mensagens “pró-terrorismo”.

    Conforme Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, a advogada Talitha Camargo da Fonseca, que o representa, formalizou um pedido ao Ministério dos Direitos Humanos para que o cliente e familiares sejam incluídos no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH). Ela também pretende acionar o Ministério da Justiça e Segurança Pública para solicitar escolta policial. A pasta já determinou que a Polícia Federal investigue os ataques.

    Dentre as mensagens que têm sido enviadas a Hasan estão ameaças de agressão e discursos xenofóbicos. “Vagabundo safado, te dou um pau se eu te encontrar na rua”, diz uma das mensagens enviadas a Hasan e compartilhadas com o Ministério dos Direitos Humanos. “Terrorista filha da p*, espero que você não venha para Florianópolis, seu m*”, “volte pra lá [Gaza] e aguente as consequências”, “não queremos terroristas no Brasil”, “vaza lixo terrorista”, afirmam outras.

    Um dos ataques ocorreu a partir de publicação de Zambelli, que acusava o repatriado de compartilhar mensagens “pró-terrorismo”, após resgatarem postagem de 2015, na qual ele sugeria que estaria “no momento certo de explodir ônibus em Israel”. “Você deveria ter ficado na Palestina. Não queremos terroristas no Brasil. Deus proteja Israel”, escreveu a mulher, em mensagem privada enviada a Hasan.

    Entrevistado pela TV Globo, após vir à tona a postagem, ele disse não lembrar da publicação e que pode ter feito em momento de raiva. “Não sou a favor de violência nenhuma, sou a favor de conversa, sempre. Pode ser que eu tenha postado com raiva, mas, em 2015, não me lembro de nada”, disse.

    Outros ataques ao repatriado ocorreram após ele aparecer ao lado do presidente Lula (PT), a quem agradeceu pelo resgate dos 32 brasileiros que estavam em zona de guerra. Revoltados, bolsonaristas atribuem a Jair Bolsonaro (PL) o sucesso da repatriação.

    “Nós vamos processar. É inadmissível que exista impunidade. Cada vez que há impunidade, essas pessoas se sentem mais empoderadas [em promover ataques]. Hoje é a família do Hasan, mas deve sair uma segunda lista [de futuros repatriados]. E essas pessoas que estão vindo, também vão passar por isso?”, afirma a advogada.

    “Essas 200 pessoas ou mais serão responsabilizadas criminalmente e na área cível pelos danos. O que a gente vê é que existe uma propagação de discurso de ódio em massa nesse país”, pontuou Talitha Fonseca, classificando como “surreal” a intensidade de materiais que circulam na internet com ameaças e difamação. “É um grau de desumanidade a ponto de não conseguirem conceber que a pessoa acabou de sair de uma guerra”, avalia a advogada, que também pretende acionar as empresas responsáveis pelas redes sociais.