Após maioria no STF votar pela suspeição de Moro, Lava Jato deve sofrer revisão mais ampla

    Sete dos 11ministros foram favoráveis à anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O placar que formou na quinta-feira (22) maioria para confirmar a decisão da Segunda Turma que declarou o ex-juiz Sergio Moro parcial na condução do processo do tríplex explicitou erro na estratégia do relator da Lava Jato, Edson Fachin. A avaliação foi feita por integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) ouvidos pelo blog do jornalista Gerson Camarotti.

    Segundo apurou a publicação, a percepção na corte é que a decisão de Fachin de anular condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou antecipando um movimento de fragilização da Operação Lava Jato, abrindo espaço para a revisão com maior velocidade de decisões já tomadas em instâncias inferiores.

    “Fachin acabou antecipando um movimento que já existia na corte. Caso não tivesse anulado condenações de Lula, o tempo de análise seria outro”, reconheceu um ministro em declaração ao blog.

    A avaliação anterior é que a análise da suspeição de Moro no caso do tríplex teria um andamento mais lento na Segunda Turma e o efeito seria restrito. Mesmo para quem defende a Lava Jato na Corte, o movimento de Fachin foi recebido com contrariedade.

    Nesta quinta-feira, sete dos 11 ministros votaram por manter a decisão da Segunda Turma pela suspeição de Moro. Até o momento, só Fachin e Luís Roberto Barroso ficaram na posição contrária. A análise do tema, porém, foi suspensa por pedido de vista do ministro Marco Aurélio.