Banco Central tem prazo de dois dias para explicar nota de R$ 200 ao Supremo

    Ministra Cármem Lúcia atende pedido do Podemos, Rede e PSB; partidos acreditam que nova cédula pode favorecer corrupção, sonegação e lavagem de dinheiro

    Foto: Gláucio Dettmar/ Agência Brasil
    Foto: Rosinei Coutinho/STF
    Foto: Rosinei Coutinho/STF

     

    A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia deu 48 horas para que o presidente do Banco Central preste informações sobre a criação da nota de R$ 200. O despacho da ministra é desta segunda-feira (24) e o processo pode ser acompanhado no portal da Corte. O procedimento de abertura de prazo para manifestação é de praxe.

    Em parte, a decisão da ministra atende a pedido dos partidos Podemos, Rede e PSB. As legendas e mais 10 organizações anticorrupção afirmam que a criação da nova cédula favorece atividades ilícitas, como corrupção, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, ocultação e evasão de divisas.

    Segundo o grupo, o crime prefere as notas de maior valor. “[A nova cédula facilita] o armazenamento e o transporte de recursos obtidos ilegalmente e dificultando a rastreabilidade das respectivas transações”, argumentam as instituições.

    Virou meme

    A criação da nova cédula foi anunciada pelo Banco Central em 29 de julho com a estimativa de que estaria em circulação até o fim de agosto. Desde então, notas falsas já circularam no Rio de Janeiro. Desde o anúncio, internautas sugeriram outros animais para estampar a cédula no lugar do lobo-guará.

    Na contramão

    Com milhares de brasileiros fora dos serviços financeiros digitais, como ficou explícito quando foi liberada a primeira parcela do auxílio emergencial e a Caixa Econômica identificou 24 milhões de pessoas que nunca tiveram conta bancária e foram obrigados a aprender a usar uma conta digital. É nesse contexto que o BC diz que criação da cédula é “precaução diante da demanda maior por dinheiro em espécie”

    O Banco Central publicou os principais motivos para a criação da cédula no mesmo dia em que os três partidos entraram com a Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) contra a nova nota. Segundo a autoridade monetária, não há correlação com a inflação do país e nem risco de potencializar falsificações.

    O Banco afirma que o lançamento da cédula é uma precaução diante da demanda maior por dinheiro em espécie. O número de notas aumentou durante a pandemia.