Cadeia de Curaçá é interditada e detentos são transferidos para Juazeiro

    Relatórios do Corpo de Bombeiros e laudos da vigilância sanitária indicaram riscos à segurança e saúde dos presos, inclusive quanto à proliferação de doenças infectocontagiosas no local

    Foto: Luiz Silveira/Agência CNJ

    A Justiça acatou o pedido do Ministério Público da Bahia (MP-BA), realizado em ação civil pública ajuizada pelo promotor de Justiça, Márcio Henrique de Oliveira, e determinou a interdição da cadeia pública do município de Curaçá. Em cumprimento da decisão, o promotor informou que o Estado realizou a transferência de todos os presos que estavam lotados na carceragem da Delegacia de Polícia para o Conjunto Penal de Juazeiro. A determinação foi proferida no último dia 7.

    A pedido do MP-BA, o juiz Paulo Ney de Araújo proibiu que a cadeia de Curaçá receba qualquer preso ou adolescente apreendido, a não ser detenções de no máximo 24 horas para realização de transferência. O descumprimento dessa determinação gera multa de R$ 10 mil por cada detento que permaneça na unidade carcerária de forma irregular.

    Na decisão, o magistrado apontou que os documentos trazidos pelo MP-BA, relatórios do Corpo de Bombeiros e laudos da vigilância sanitária e do Departamento de Polícia Técnica (DPT), indicaram riscos à segurança e saúde dos presos, inclusive quanto à proliferação de doenças infectocontagiosas no local.

    “É inegável e claro o descumprimento por parte do Estado da Bahia, pelo menos no tocante à Cadeia Pública de Curaçá, de seus deveres de implementar as condições básicas exigidas pela Lei de Execução Penal para a manutenção dos presos, que restam acautelados sem um mínimo de salubridade e de higiene”, afirmou.

    Segundo a ação do MP-BA, com base nos relatórios, a cadeia sofria com superlotação desde pelo menos 2012, com estrutura física precária.