Funcionários e ex-funcionários das empresas Incenor e Tecnogres, instaladas em Dias d’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador, relatam uma série de problemas trabalhistas, incluindo atrasos salariais, falta de pagamento de férias, ausência de depósitos do FGTS e dificuldades para receber verbas rescisórias. As informações constam em uma denúncia anônima recebida pelo bahia.ba.
Segundo o relato, as empresas estariam recorrendo à recuperação judicial para justificar os problemas financeiros. Ao mesmo tempo, de acordo com a denúncia, as unidades continuam realizando admissões, promoções e demissões.
Entre as situações relatadas está a de trabalhadores que não teriam recebido férias ou que teriam sido obrigados a continuar trabalhando durante o período de descanso. Os funcionários também afirmam que não há segurança sobre o pagamento dos próximos salários.
Ex-funcionários relatam problemas nas rescisões
A denúncia aponta que aproximadamente 190 trabalhadores foram demitidos pelas empresas somente neste ano. Segundo o relato, algumas rescisões foram negociadas para pagamento parcelado em até 24 vezes, mas os acordos não estariam sendo cumpridos.
Os ex-funcionários também relatam falta de pagamento da multa rescisória e dos valores referentes ao FGTS. Conforme a denúncia, os depósitos do fundo não são realizados há cerca de três anos, tanto para trabalhadores ativos quanto para aqueles que já foram desligados.
Ainda segundo o relato, a empresa costuma apresentar posicionamentos após a realização de paralisações ou manifestações dos trabalhadores.
Após uma manifestação de ex-funcionários realizada na quinta-feira (13), um comunicado teria sido divulgado. Os trabalhadores voltaram a se manifestar nas redes sociais e afirmaram que pretendem retornar à empresa.
A situação também gera preocupação entre os funcionários que permanecem trabalhando. Segundo a denúncia, há dúvidas sobre o recebimento dos salários e sobre o pagamento das verbas rescisórias em caso de novas demissões.
Outro ponto relatado envolve empréstimos consignados. Os trabalhadores afirmam que as parcelas são descontadas normalmente dos salários, mas não estariam sendo repassadas às instituições financeiras.
O relato menciona a Creditas e afirma que alguns funcionários estariam sendo cobrados por parcelas já descontadas e tiveram o nome incluído em cadastros de inadimplentes. Segundo a denúncia, a falta de repasse dos valores ocorre desde o início deste ano.
O bahia.ba buscou contato com a Incenor e a Tecnogres para que as empresas possam se manifestar sobre os relatos e esclarecer a situação dos salários, férias, FGTS, rescisões e empréstimos consignados.

