Publicado em 13/07/2026 às 13h55.

Freitas defende a prisão domiciliar de Bolsonaro: ‘assistir a vitória de Lula’

Felipe Freitas, avaliou que o atual cenário político do ex-mandatário é de desespero e desorientação interna.

Aline Gama / Pevê Araújo
Foto: Neison Cerqueira/bahia.ba

 

O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, em entrevista exclusiva para o bahia.ba, fez uma avaliação acerca do atual cenário político do ex-presidente Jair Bolsonaro e citou desespero e desorientação interna.

Em resposta a questionamentos sobre o pedido do PT para revogação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, Freitas afirma que a falta de adesão dos próprios bolsonaristas ao projeto político encabeçado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) tem gerado apreensão no ex-presidente, que tenta, por meio de cartas manuscritas, recompor o controle sobre seu grupo e administrar as disputas familiares.

O secretário considera essa tentativa inviável e interpreta as correspondências não como um sinal de unidade, mas como evidência de que a base bolsonarista está fragmentada e sem capacidade de apresentar um projeto consistente de governo para o país.

O ponto central da análise de Freitas recai sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o impedimento de Bolsonaro utilizar redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros, além de proibir gravações de áudio e vídeo e o uso de qualquer meio de comunicação externa.

De acordo com Freitas, a estratégia de redigir cartas e solicitar que aliados as leiam publicamente em plataformas digitais configura uma burla clara à ordem judicial. “Se o ministro determinou que ele não poderia acessar as redes, é óbvio que escrever uma carta a mão e pedir que outro leia a carta nas redes é o mesmo que ele mesmo acessar o Instagram e gravar o vídeo”, afirmou. Com isso, Freitas sustenta que Bolsonaro está descumprindo flagrantemente as restrições impostas, sujeitando-se ao risco de ter a prisão domiciliar revogada e ser reconduzido ao presídio.

O secretário destacou ainda um trecho específico da decisão judicial que veda expressamente qualquer forma de comunicação externa por meio de terceiros, incluindo a proibição de utilização de redes sociais e a gravação de vídeos ou áudios por intermédio de outras pessoas.

Na visão dele, a conduta do ex-presidente ao produzir cartas com teor político e mobilizar aliados para divulgá-las viola o espírito e a letra da medida cautelar, cujo objetivo era justamente evitar a reincidência em crimes contra o Estado democrático e impedir que o ex-mandatário utilizasse meios de comunicação para tumultuar o processo eleitoral.

Felipe Freitas manifestou a preferência pessoal de que Bolsonaro permaneça em recolhimento domiciliar, “para assistir de lá a vitória do presidente Lula”.

O secretário enfatizou a expectativa de que, desta vez, o ex-presidente respeite o resultado das urnas e não tente novamente subverter a ordem democrática. “Só espero que, desta vez, Bolsonaro respeite o resultado das urnas e não tente, novamente, dar um golpe”, declarou.

Ao falar sobre o cenário político baiano, Freitas afirmou que a crise de liderança nacional exposta pelas cartas de Bolsonaro impõe uma reflexão necessária sobre os rumos da oposição no estado. Ele cobrou posicionamento claro do grupo liderado por ACM Neto sobre qual candidato à Presidência apoiarão, exigindo que expliquem à população da Bahia qual é a sua posição diante do “disse-me-disse” do cenário nacional.

“Fico pensando que, na Bahia, é necessário que o grupo de ACM Neto se manifeste sobre seu candidato a presidencia e explique para o povo da Bahia qual é a posição deles sobre este disse-me-disse do cenário nacional. Essa é uma preocupação que temos na Bahia”, afirmou.

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