Gilmar Mendes diz ver com naturalidade episódio de censura a sites

    Supremo retoma julgamentos nesta semana em meio à crise de inquérito das fake news

    O ministro do STF, Gilmar Mendes, durante Sessão Plenária do Supremo Tribunal Federal. (Foto: Carlos Humberto./SCO/STF)
    Foto: Carlos Humberto/ SCO/ STF

    O ministro do STF, Gilmar Mendes, durante Sessão Plenária do Supremo Tribunal Federal. (Foto: Carlos Humberto./SCO/STF)
    Foto: Carlos Humberto/ SCO/ STF

     

    O ministro Gilmar Mendes (STF) disse nesta segunda-feira (22) ter encarado com naturalidade a decisão de seu colega no Supremo Tribunal Federal, o ministro Alexandre de Moraes, de retirar do ar reportagem com citação ao presidente da corte, Dias Toffoli.

    “Ali [decisão de censura] se fez uma avaliação de que talvez houvesse fake news, porque talvez o documento [que se referia a Dias Toffoli] não existisse”, justificou o magistrado, segundo a Folha.

    “Verificou-se depois que o documento existia e, por isso, cancelou-se a intervenção. A ideia de fake news se alimenta no próprio marco regulatório da internet, de tirar conteúdos que não existem. Foi essa a inspiração do ministro Alexandre de Moraes. Verificado que o documento existia, ele cancelou a decisão”, declarou Mendes.

    As declarações foram dadas na abertura do 7º Fórum Jurídico de Lisboa, em Portugal, que é organizado pelo IDP, faculdade do ministro do STF, e pela FGV.

    Na última quinta (18), após pressão externa e interna, o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news no Supremo, revogou decisão que havia sido tomada por ele próprio de retirada do ar de reportagens da revista Crusoé e do site O Antagonista sobre o apelido “amigo do amigo do meu pai” dado a Toffoli pela Odebrecht.

    O episódio da censura representou uma derrota ao presidente da corte. A medida havia sido criticada publicamente por ministros como Celso de Mello e Marco Aurélio Mello.