Publicado em 24/10/2020 às 08h30.

Lula vira réu por lavagem de dinheiro envolvendo doações da Odebrecht

Justiça Federal acolheu denúncia do MPF contra o ex-presidente, Antonio Palocci e Paulo Okamotto por lavagem de dinheiro

Redação
Foto: Reprodução/ TV Contraf
Foto: Reprodução/ TV Contraf

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se tornou réu no âmbito da Operação Lava Jato mais uma vez. Na sexta-feira (23), a Justiça acatou denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o petista, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, por lavagem de dinheiro.

De acordo com informações do G1, a denúncia se refere a doações da Odebrecht ao instituto para disfarçar repasses da ordem de R$ 4 milhões entre dezembro de 2013 e março de 2014. Dois executivos da construtora também foram denunciados pelo mesmo crime.

A denúncia se embasa em depoimentos convergentes de colaboradores da operação, mensagens eletrônicas, planilhas de pagamentos e recibos. O juiz federal Luiz Antônio Bonat, da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, entendeu que as evidências coletadas pelo MPF bastam para recebimento da denúncia por comprovarem minimamente as acusações contra os acusados.

“Questões mais profundas a respeito da responsabilidade criminal demandam regular instrução processual”, disse o juiz na decisão.

A defesa do ex-presidente Lula afirmou em nota que o acolhimento da denúncia é “mais um ato de perseguição” contra o petista, na medida em que a denúncia tenta transformar doações lícitas e contabilizadas para o Instituto Lula em atos ilícitos.

Cristiano Zanin Martins destacou que a decisão do juiz desconsidera que Lula já foi absolvido pela Justiça Federal de Brasília da acusação de integrar organização criminosa, e que o Supremo Tribunal Federal (STF) já retirou da Justiça Federal de Curitiba a competência para analisar o assunto.

O Instituto Lula informou que as doações foram legais, via transferência bancária e contabilizadas com recolhimento e declaração de impostos. Além disso, a instituição afirmou também que “jamais” serviu para ilícitos.

As defesas de Paulo Okamotto e de Antonio Palocci não se manifestaram até então.