Polarização explica falta de segundo turno na Bahia, indica analista

    Cenário eleitoral no estado é marcado pelo embate direto entre duas grandes correntes e pela quase total ausência de uma 'terceira via'

    Foto: Aline Gama/bahia.ba

    Desde a redemocratização do país, a corrida pelo Governo da Bahia traz como marca a definição do pleito ainda no primeiro turno. Em mais de três décadas de eleições diretas, a disputa pelo Palácio de Ondina avançou para o segundo turno em apenas duas exceções históricas: nos anos de 1994 e 2022.

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    A explicação central para a baixa ocorrência de segundo turno no estado é a forte bipolarização política, marcada pelo embate direto entre duas grandes correntes e pela quase total ausência de uma “terceira via” capaz de desidratar o favoritismo dos líderes.

    Polarização na Bahia

    Em análise sobre a dinâmica eleitoral baiana, o analista judiciário e cientista político do TRE-BA, Jaime Barreiros Neto, detalhou por que os votos tendem a se concentrar precocemente em dois grandes polos, inviabilizando a prorrogação do pleito.

    “A que se atribui esses poucos segundos turnos aqui na Bahia? Geralmente a polarização”, apontou Jaime Barreiros em conversa com o bahia.ba. “A Bahia nunca teve, de forma geral, três grupos políticos. Há historicamente uma divisão mais polarizada entre dois grandes grupos.”

    O analista relembrou a evolução histórica desse cenário de confronto direto no estado.

    “Já foi no passado, por exemplo, o antigo PFL e o PMDB; depois o PT assumiu esse polo no lugar do antigo PMDB; e raramente nós temos uma terceira opção competitiva”, explicou o especialista.

    “Por isso, na maioria das vezes, nesses anos todos desde 1990, a gente só teve segundo turno em 1994 e em 2022. A tendência estatística, até pela história da Bahia, é que nós tenhamos um turno só e um dos dois candidatos favoritos seja o vencedor”, concluiu o analista.

    Projeção para a disputa presidencial

    Diferente do cenário estadual, Jaime Barreiros avaliou que a corrida presidencial no plano nacional apresenta maior propensão a se estender até uma segunda votação, em virtude da presença de múltiplos candidatos com densidade eleitoral.

    “Existe um ditado do futebol que também se aplica às eleições: ‘treino é treino, jogo é jogo; pesquisa é pesquisa, eleição é eleição'”, ponderou o cientista político.

    “Claro que a pesquisa dá uma sinalização de uma tendência, mas o resultado das urnas realmente é que vai definir. Eu particularmente tenho um palpite que deve ter o segundo turno porque nós temos aí, na eleição presidencial, muitos candidatos que têm uma certa popularidade e legitimidade perante o eleitor”.

    Votação de brasileiros no exterior

    Comentando os primeiros boletins vindos de seções eleitorais instaladas fora do país, onde eleitores brasileiros registraram preferências divididas, o especialista do TRE-BA recomendou prudência antes de projetar conclusões antecipadas.

    “Esses resultados ainda não querem dizer muita coisa porque são poucos eleitores e estão dentro do que a gente tem observado nos anos anteriores. Tem alguns países que tendem mais para candidatos de esquerda; outros países, os imigrantes brasileiros que lá vivem, tendem mais para a direita. Então está dentro da normalidade”, concluiu.