‘Que estuprem e matem as filhas dos ordinários do STF’, diz ameaça

    Alexandre de Moraes citou trechos de ameaças publicadas contra membros do STF, ao votar pela continuidade do inquérito das fake news

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou pela continuidade e legalidade do inquérito das fake news, devido ao teor criminoso das ameaças. Ao declarar seu posicionamento, o ministro leu exemplos do que tem sido publicado nas redes sociais contra os ministros da Corte e de sua família.

    “‘Que estuprem e matem as filhas dos ordinários ministros do STF’. Em nenhum lugar do mundo isso é liberdade de expressão. Isso é bandidagem, criminalidade. Postado por uma advogada do Rio Grande do Sul, incitando o estupro”, relatou Moraes.

    De acordo com informações do G1, outro trecho da ameaça questionava quanto custava matar os ministros da Corte.

    “‘Quanto custa atirar à queima roupa nas costas de cada filho da p# ministro do STF que queira acabar com a prisão em segunda instância. Se acabar com a segunda instância, só nos basta jogar combustível e tocar fogo do plenário com os ministros dentro'”, reproduziu Moraes. “Onde está aqui a liberdade de expressão?”, questionou.

    O ministro também citou o caso de um artefato que explodiu em frente à casa de um dos membros da Suprema Corte. Em seu voto, Moraes reforçou que liberdade de expressão não é “liberdade de destruição da democracia”, tampouco de destruição de instituições e honra alheia.

    Na avaliação de Moraes, a investigação é um dever do presidente do STF, ministro Dias Toffoli, contra fatos elaborados para intimidar e deslegitimar a Corte. Cabe ao chefe do Poder Judiciário a defesa institucional da Corte e da independência dos seus magistrados, que será plenamente asseguranda conforme garantida a integridade física e psíquica dos ministros.

    “Coagir, atacar, constranger, ameaçar, contra o Supremo, contra seus familiares, magistrados, é atentar contra a Constituição, a Democracia e o Estado de Direito”, argumentou.

    O julgamento do inquérito analisa uma ação do partido Rede Sustentabilidade de 2019, que contestava a abertura do inquérito. No entanto, há algumas semanas a própria legenda se manifestou pela continuidade da investigação.

    Em maio, o ministro Alexandre de Moraes autorizou operação de busca e apreensão contra empresários ligados a Jair Bolsonaro. O membro do STF entende que existem provas que apontam para a “real possibilidade” de associação criminosa responsável por disseminação de fake news.

    De acordo com o G1, três ministros já se manifestaram a favor da continuidade do inquérito: Moraes, o ministro Luís Roberto Barroso e o ministro Edson Fachin, relator da ação.