Uma ação deflagrada na sexta-feira (3) resultou na prisão de dez advogados suspeitos de atuar como intermediários na comunicação entre integrantes de facções criminosas presos no sistema prisional da Bahia e membros das organizações em liberdade.
A Operação Sintonia de Gravata, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público da Bahia (MP-BA) em conjunto com a Polícia Civil, também cumpriu mandados de prisão contra 12 detentos já custodiados.
As investigações apontam que os profissionais da advocacia, mediante abuso das prerrogativas da classe, teriam burlado o isolamento e a incomunicabilidade com o meio externo impostos em presídio de segurança máxima, viabilizando a gestão de facções criminosas por seus chefes presos.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), o fluxo de comunicação permitia que líderes das organizações, mesmo custodiados, participassem da gestão do tráfico de drogas, da comercialização de entorpecentes, da aquisição e circulação de armas de fogo, da movimentação de recursos financeiros e da resolução de conflitos internos.
A ação investiga a atuação de grupos criminosos envolvidos em tráfico de drogas, aquisição, circulação, posse e guarda de armas de fogo de facções, além da articulação entre integrantes custodiados e agentes em liberdade. As apurações identificaram que essas organizações mantinham um sofisticado esquema de comunicação clandestina, com um núcleo externo responsável por intermediar a transmissão de ordens entre integrantes presos e membros em liberdade.
Segundo informações do g1, dos dez advogados alvos da operação, nove foram localizados inicialmente. O décimo foi preso no final da tarde da sexta-feira, após ser encontrado escondido em uma residência na cidade de Marcionílio Souza, a 350 km de Salvador.
Confira a lista:
- Maria Tereza Novaes Martins – atuaria em favor de Victor de Freitas Silva, conhecido como “Da Jega”, um dos chefes da organização criminosa Comando Vermelho (CV) com atuação em Feira de Santana.
- Izabela da Silva de Oliveira – atuaria em favor de Averaldo Ferreira da Silva Filho, conhecido como “Averaldinho”, integrante e um dos chefes da organização criminosa Bonde do Maluco (BDM), com atuação principal na cidade de Salvador.
- Luan Mascarenhas de Souza – atuaria em favor de Francisleno de Jesus Nunes. Os crimes pelos quais ele responde não foram detalhados.
- Icaro Cardoso Viana – atuaria em favor de Gleidson Bomfim do Nascimento, Ademilton Mercês Alves e Décio Douglas Silva Oliveira. Este último é conhecido como “Vaqueiro”, um dos chefes do BDM.
- Luã Santos da Costa – atuaria em favor de Leandro da Conceição Santos Fonseca, conhecido como Léo Gringo, um dos chefes do BDM na Bahia, e de Wesley Willian Alves dos Santos. No caso desse último, não foram detalhados os crimes pelos quais ele responde.
- Fernanda Oliveira Borges – atuaria em favor de Marlos Araújo Souza Junior, conhecido como “Bolão, CRM, JR”, vinculado à organização criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), com atuação principal em Senhor do Bonfim, no norte da Bahia.
- Tamires Felix Alves Silva – atuaria em favor de Décio Douglas Silva Oliveira, o “Vaqueiro” do BDM.
- Maria Mariana Batista de Oliveira – atuaria em favor de Fabio Santana Oliveira, conhecido como “Panda” e apontado como um dos chefes do CV, com atuação principal na região de Capim Grosso; de José Lucas Silva Rocha, o “Índio”, integrante do CV, com atuação na cidade de Eunápolis, no extremo sul; e Victor de Freitas Silva, o “Da Jega”, um dos chefes da facção em Feira de Santana.
- Raiza da Silva
- Joanderson Almeida dos Santos
Também foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis, com diligências nos municípios de Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Feira de Santana, Serrinha e Barreiras. Durante o cumprimento das medidas judiciais, foram apreendidos notebooks, celulares e documentos diversos que poderão contribuir para o aprofundamento das investigações e para a identificação da eventual participação de outros envolvidos.
A SSP-BA informou que foi determinada a indisponibilidade de ativos financeiros dos investigados, até o limite mínimo de R$ 10 milhões, além do bloqueio de veículos, bens imóveis, embarcações e aeronaves dos investigados, com o objetivo de impedir a movimentação de recursos vinculados às atividades ilícitas.
Mais de 100 profissionais participaram da ação, dentre eles promotores de Justiça, servidores e policiais do Gaeco do MP-BA, além de integrantes do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e Departamento de Polícia do Interior (Depin) da Polícia Civil da Bahia, Secretaria de Administração Penitenciária e SSP.

