STF começa a julgar morador de rua preso no 8 de Janeiro, diz coluna

    PGR recuou da denúncia e pediu absolvição de Geraldo Silva, pessoa em situação de rua; Silva ficou preso por 320 dias

    Foto: STF

    De acordo com a coluna de Guilherme Amado no Metrópoles, o Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar nesta sexta-feira (8) o réu Geraldo Filipe da Silva, que segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR) é uma pessoa em situação de rua e deve ser absolvido porque não participou dos atos golpistas de 8 de janeiro. Silva ficou preso por 320 dias, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.

    A coluna aponta que a PGR mudou completamente de posição durante o processo. Em fevereiro, o subprocurador-geral Carlos Frederico Santos denunciou Geraldo Filipe da Silva e outros detidos em Brasília pelos supostos crimes de associação criminosa armada, abolição violenta do Estado, golpe de Estado, uso de substância inflamável, deterioração de patrimônio tombado, concurso de pessoas e concurso material. O STF aceitou a denúncia e tornou Silva réu ainda em fevereiro.

    Ainda segundo o Metrópoles, em novembro do ano passado, o subprocurador-geral recuou e pediu a absolvição e a liberdade de Silva, citando que ele é uma pessoa em situação de rua. A PGR apontou que não havia provas o suficiente para processar o réu, que não tinha qualquer relação com os golpistas que saquearam as sedes dos Três Poderes e tampouco participou de manifestações golpistas, a exemplo do acampamento na frente do Exército nas semanas anteriores.

    O Metrópoles acrescenta que Moraes deu liberdade provisória a Silva no mesmo mês, mas não aceitou o pedido da PGR para arquivar o processo. Hoje, Silva usa tornozeleira eletrônica, entre outras medidas cautelares. Em depoimento ao STF, policiais militares que prenderam o homem afirmaram que ele estava sendo agredido por golpistas depois de ter sido acusado de atear fogo em uma viatura da polícia. Silva não estava com nenhuma arma no momento da prisão.

    O Metrópoles ainda ressalta que Geraldo Filipe da Silva afirmou à Justiça que trabalhava como serralheiro e veio a Brasília durante a pandemia para tentar um novo emprego. Segundo o depoimento, à época do 8 de janeiro, Silva já estava em situação de rua havia três meses. Silva disse que, naquele dia, foi se alimentar num centro de assistência social do governo do DF próximo à Esplanada dos Ministérios, e estava curioso com a movimentação. Ele disse que não invadiu nada e que não se manifestou politicamente. Para Silva, a prisão foi uma “deselegância”