Evo Morales e a OEA chegam a acordo para a realização de auditoria em eleição

    Revisão do pleito terá início nesta quinta-feira (31); caso sejam encontradas irregularidades, um novo pleito poderá ser realizado

    Foto: Reprodução/Twitter

    O governo boliviano e a Organização dos Estados Americanos (OEA) chegaram a um acordo para realizar uma auditoria na eleição presidencial do país, vencida pelo presidente Evo Morales no primeiro turno, mas contestada pela oposição – o resultado desencadeou violentos protestos. A revisão do pleito terá início nesta quinta-feira (31).

    Caso a auditoria encontre irregularidades, uma nova eleição entre Morales e o candidato da Comunidade Cidadã, Carlos Mesa, poderá ser realizada. A oposição, porém, considera a auditoria “uma farsa” e pede uma nova eleição geral. Alguns líderes vão além e exigem a renúncia imediata do governo de Morales.

    A posição da Comunidade Cidadã sobre a auditoria foi dúbia: Carlos Mesa a aceitou e disse não ter dúvidas de que a revisão “demonstrará a enorme fraude que aconteceu em 20 de outubro”. Seu candidato a vice-presidente, Gustavo Pedraza, por outro lado, negou que houvesse sido aprovada como uma saída da crise atual.

    cerca de trinta especialistas internacionais verificarão a contagem e avaliarão a cadeia de custódia do voto e outros aspectos do processo eleitoral, nos quais estão centradas as acusações de fraude feitas pela oposição boliviana.

    A auditoria da OEA será realizada enquanto os protestos continuam no país sul-americano. A situação ficou mais crítica a partir de segunda-feira (28), quando vários grupos de simpatizantes do Movimento ao Socialismo (MAS) – partido de Evo Morales – começaram a desbloquear as ruas à força.

    As mobilizações de rejeição às eleições foram convocadas por “comitês cívicos” regionais. Essas organizações agrupam representantes de instituições econômicas e sociais locais e se opõem a Morales desde o início de sua gestão. Seu principal dirigente é Fernando Camacho, que tornou-se a figura mais visível da mobilização atual. O movimento não quer uma auditoria, mas uma nova eleição, cujas características não foram especificadas.