Imprensa internacional repercute retirada de Moraes da lista de sanções dos EUA
O magistrado e sua esposa foram retirados da lista da Lei Magntisky na sexta-feira (12)

O anúncio do governo dos Estados Unidos da decisão do presidente Donald Trump em retirar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e sua esposa, Viviane Barci, da lista de sancionados pela Lei Magnitsky segue repercutindo na mídia internacional. As informações são do portal InfoMoney.
Os jornais tem destacado a ligação de Moraes com o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a pressão promovida pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que reside nos Estados Unidos desde o início do ano, para que a Casa Branca aplicasse as sanções e a melhora recente na relação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O veículo americano The New York Times, por exemplo, relembrou que “a Lei Magnitsky é uma lei raramente usada” contra estrangeiros acusados de graves violações dos direitos humanos ou corrupção e que a sanção a Moraes veio no contexto do julgamento de Bolsonaro, tal como o aumento de tarifas a produtos brasileiros.
O jornal também citou a atuação de Moraes no Brasil: “O ministro Moraes tem combatido agressivamente as ameaças que percebe como sendo à democracia no Brasil, embora algumas de suas ações, incluindo a ordem de prisão de pessoas por publicações em redes sociais, tenham sido consideradas antidemocráticas”, disse.
Já o Washington Post, outro jornal americano, destacou que a decisão vem “apenas quatro meses depois” da imposição da sanção, caracterizando a ação como uma “significativa retração da campanha de pressão do governo Trump no Brasil”.
A publicação ainda pontuou que a decisão foi resultado do “esforço diplomático do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para persuadir o presidente Donald Trump a revogar as sanções impostas.”
A matéria também destaca que a “família Bolsonaro e os líderes da direita continuam divididos sobre quem deve ser o candidato à presidência no próximo ano” após a prisão de Jair Bolsonaro.
Já a Bloomberg, popular veículo de informação do meio financeiro dos EUA, mencionou que a decisão de Washington ocorre após o “presidente Donald Trump ter flexibilizado as tarifas sobre importantes exportações brasileiras, meses depois de tê-las imposto numa tentativa de ajudar Bolsonaro a evitar julgamento pelas acusações de tentativa de golpe após sua derrota nas eleições de 2022”.
No Reino Unido, o The Guardian ressaltou que a derrubada das sanções atende a um pedido feito por Lula em um dos encontros com Trump. “A medida havia sido solicitada repetidamente pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, nas negociações com Donald Trump para a redução das tarifas de 50% sobre as importações brasileiras”, disse.
O jornal britânico ainda destaca a aproximação entre os presidentes: “Os apoiadores de Bolsonaro esperavam mais represálias contra o Brasil, mas o que se seguiu foi uma reaproximação inesperada entre Trump e Lula”.
Moraes foi sancionado pelo governo Trump no dia 30 de julho deste ano em um contexto de pressão das autoridades americanas para que ele recuasse no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que era acusado de liderar uma organização criminosa em uma tentativa de aplicar um golpe de Estado após ter perdido as eleições presidenciais de 2022 para Lula.
Já a esposa do magistrado e o Instituo Lex, empresa mantida pelo casal, foram incluídos na lista mantida pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros no dia 22 de setembro deste ano, num gesto de retaliação após a Primeira Turma do STF acompanhar o voto de Moraes e condenar Bolsonaro a 27 anos de prisão, dias antes.
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