Publicado em 14/09/2019 às 15h00.

Itália autoriza o desembarque de navio humanitário com 82 imigrantes

Guarda Costeira italiana ainda analisa se permite a entrada no porto ou se transfere os migrantes para outros barcos italianos em águas internacionais

Redação
Foto: Divulgação/MSF
Foto: Divulgação/MSF

O governo da Itália autorizou neste sábado (14) o desembarque de 82 imigrantes em um porto na ilha de Lampedusa. Eles estavam há seis dias a bordo do barco humanitário Ocean Viking, pertencente às ONGs SOS Méditerranée e Médicos Sem Fronteiras (MSF). A informação foi confirmada pelo MSF nas redes sociais. A decisão é vista como uma mudança de postura de Roma em relação à crise imigratória.

O desembarque seguro foi oferecido por autoridades italianas, após a negativa anterior ao pedido de dezenas de navios de resgate no Mar Mediterrâneo. A Guarda Costeira italiana ainda analisa se permite a entrada no porto ou se transfere os migrantes para outros barcos italianos em águas internacionais, transportando-os posteriormente para o território italiano.

O Ocean Viking socorreu, em 8 de setembro, 50 pessoas no Mediterrâneo e, em 10 de setembro, acolheu outras 34, que tinham sido assistidas no mar por um veleiro sem condições de mantê-las a bordo.

O  barco esteve por duas semanas no Mediterrâneo com 356 migrantes a bordo, em agosto passado, até seis países europeus concordarem no realojamento dos resgatados, uma situação extrema criticada pelo MSF, que pediu à União Europeia um sistema permanente em vez de pactos pontuais para cada situação.

Entre meados de 2018 e julho de 2019, vigorou na Itália uma política restritiva que proibia qualquer navio ou ONG de desembarcar imigrantes. Foram aprovadas duas leis, chamadas de “decreto de segurança” e “decreto de segurança bis”, para negar os acessos.

A política restritiva tinha sido elaborada e era defendida pelo líder do partido nacionalista Liga Norte, Matteo Salvini, que ocupava o posto de ministro do Interior. O fim da aliança de governo entre a Liga e o Movimento 5 Estrelas (M5S), no entanto, mostra que a Itália tem sinalizado que passará a aceitar novamente as embarcações com imigrantes e tentará pedir cooperação na União Europeia para resolver a crise.

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