Lula diz que há interesses do Ocidente em acusar Rússia de envolvimento na morte de Navalni

    Presidente da República afirmou que vai esperar o resultado dos exames médicos legistas antes de se pronunciar sobre a morte do líder opositor russo Alexei Navalni

    Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

    De acordo com uma reportagem da Folha de São Paulo, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (18) que vai esperar o resultado dos exames médicos legistas antes de se pronunciar sobre a morte do líder opositor russo Alexei Navalni. O petista ainda afirmou que há interesses na acusação de potências ocidentais, que apontam o presidente Vladimir Putin como responsável pela morte do opositor. “Esse não o meu mote”, acrescentou.

    “Eu acho que por uma questão de bom senso [não havia me pronunciado]. […] Ou seja, se a morte está sob suspeita, você tem que primeiro fazer uma investigação para saber do que o cidadão morreu. Vamos acreditar que os médicos legistas vão dizer que morreu disso ou daquilo, para você poder fazer um julgamento. Porque, se não você julga agora que foi alguém que mandou matar, e não foi. E depois você vai pedir desculpas?”, disse o presidente.

    A Folha aponta que o chefe do Palácio do Planalto depois fez um paralelo com o assassinato de Marielle Franco, afirmando que aguarda há seis anos pela solução do caso e a definição de quem foi o mandante. Disse que não tem pressa para obter essa informação, mas que quer, sim, identificar o mandante. Na sequência, o presidente sugeriu que há interesses por trás de acusações das potências ocidentais, que atribuem a Putin a responsabilidade pela morte. Mas acrescentou que aquele não era o seu “mote”.

    “Então o cidadão morreu na prisão, não sei se estava doente, se tem algum problema. Assim como morreu um cidadão dentro do avião [comercial] vindo para a Etiópia trazendo a delegação brasileira, vocês sabem que um rapaz morreu dentro do avião. A gente vai culpar quem?”, questiona.

    “Se não é banalizar uma acusação. Eu até compreendo os interesses de quem acusa imediatamente, ‘foi fulano’, mas não é o meu mote. Espero que o legista que vai fazer o exame indique de que o cidadão morreu. Só isso”, completou.

    O presidente está em Adis Abeba, na Etiópia, cumprindo o último dia de agendas oficiais no continente africano. Ele deve retornar ao Brasil no início da tarde, no horário local —início da manhã no Brasil. Na última sexta-feira (16), o governo russo anunciou a morte de Alexei Navalni, 47, o opositor e crítico mais conhecido do presidente Vladimir Putin. Ele estava preso em uma cadeia na remota região de Iamalo-Nenets, no Ártico, e cumpria 30 anos de pena por condenações diversas, acrescenta a Folha.