Papa condena controle demasiado dos filhos
Em exortação apostólica publicada nesta sexta-feira, chefe da Igreja Católica pediu equilíbrio entre atenção e respeito à individualidade

O papa Francisco recomendou aos pais que evitem “uma invasão nociva” da vida pessoal dos filhos porque, garantiu, “a obsessão não é educativa”, embora sempre faça falta “alguma vigilância”.
“A obsessão não é educativa, e não se podem controlar todas as situações pelas quais poderá passar um filho”, lembrou na exortação apostólica Amoris Laetitia (A alegria do amor), publicada nesta sexta-feira (8).
Francisco sublinhou que “a família não pode renunciar a ser um lugar de apoio, de acompanhamento, de guia” dos filhos e recomendou que “não se deve deixar de questionar quem oferece entretenimento e diversão, quem entra nos seus quartos pelos ecrãs [no caso, telas de televisão].”
“Faz sempre falta alguma vigilância. O abandono nunca é saudável. Os pais devem orientar e alertar as crianças e adolescentes para que estas saibam enfrentar situações em que possam existir riscos, por exemplo, de agressões, de abuso ou de consumo de drogas”, afirmou.
Mas “se um pai está obcecado em saber onde está o filho e controlar todos os seus movimentos, apenas procura dominar o seu espaço”.
“Desse modo, não o está educando, fortalecendo, não o está preparando para enfrentar os desafios. O que interessa sobretudo é gerar no filho, com muito amor, processos de amadurecimento da sua liberdade, de capacitação, de crescimento integral”, explicou.
Francisco defendeu que “só assim esse filho terá em si mesmo os elementos de que precisa para saber defender-se e para atuar com inteligência e astúcia em circunstâncias difíceis”.
Por esse motivo, “a grande questão não é onde está fisicamente um filho, com quem está em preciso momento, mas onde está num sentido existencial, onde está posicionado nas suas convicções, objetivos e desejos”.
Solução – Como solução, o papa afirmou que “só os momentos passados com eles (jovens), falando com simplicidade e carinho de coisas importantes e possibilidades sãs criadas para que eles ocupem o seu tempo, permitirão evitar uma invasão nociva”.
No capítulo intitulado “Sim à educação sexual”, Francisco considerou ser “difícil pensar a educação sexual numa época em que a sexualidade tende a banalizar-se e a empobrecer-se”. Por outro lado, “só pode ser entendida no marco de uma educação para o amor”.
“A educação sexual deve dar informação, mas sem esquecer que as crianças e os jovens não atingiram uma maturidade plena. A informação deve chegar no momento apropriado e de maneira adequada à etapa que vivem”, recomendou.
“De nada serve inundá-los de dados sem o desenvolvimento de um sentido crítico perante uma invasão de propostas, perante a pornografia descontrolada e a sobrecarga de estímulos que podem mutilar a sua sexualidade”, acrescentou.
‘Sexo seguro’ – O papa criticou a expressão “sexo seguro” por “transmitir uma atitude negativa em relação à finalidade de procriação natural da sexualidade, como se um possível filho fosse um inimigo do qual é preciso proteção”.
“Assim se promove a agressividade narcisista em vez do acolhimento. É irresponsável qualquer convite aos adolescentes para que brinquem com os seus corpos e desejos, como se tivessem maturidade, valores, compromisso mútuo e objetivos próprios do matrimônio”, considerou.
A exortação Amoris Latetia foi escrita a partir das conclusões dos sínodos dos bispos para a família, extraordinário e ordinário, que decorreram, respetivamente, em outubro de 2014 e 2015.
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