Publicado em 03/12/2016 às 18h00.

Sobrevivente de tragédia da Chape defende piloto: ‘É fácil julgar’

"Então, hoje o piloto se tornou o vilão. Então, hoje o piloto virou o assassino. Então, hoje a culpa é do piloto. Então, hoje o piloto era pão duro", criticou Ximena Suárez

Redação
Foto: Reprodução / Facebook
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Uma das seis sobreviventes do desastre aéreo que matou 71 pessoas, inclusive a equipe da Chapecoense que disputaria a final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, em Medellín, partiu em defesa do piloto Miguel Quiroga, apontado como responsável pelo acidente. Por meio das redes sociais, Ximena Suárez Otteburg ela criticou a principal tese de que o comandante da aeronave mudou o plano de voo e se arriscou a sofrer uma pane seca, o que aconteceu.

“É fácil julgar! Imagem bonita! Então, hoje o piloto se tornou o vilão. Então, hoje o piloto virou o assassino. Então, hoje a culpa é do piloto. Então, hoje o piloto era pão duro. Então, hoje o piloto virou irresponsável. Há tantas culpas que este piloto leva depois de ontem ter sido tomado como herói! Ontem foi o homem, ele era o melhor, o super, o admirado por todos, né? A verdade é que nunca estão satisfeitos, a verdade é que sempre preferem julgar, a verdade é que nós nunca paramos de atravessar as mentes dos outros”, afirmou.

Além de piloto, Quiroga era proprietário da companhia LaMia, responsável pelo voo, e morreu no acidente. Especialistas apontam de que a tragédia teria acontecido por uma tentativa de economizar combustível para aumentar a margem de lucro. “Meu povo, este pobre homem também morreu, não escapou ileso, não sobreviveu para voltar para casa ou simplesmente para nos dizer a sua versão do evento que ocorreu. Por que muitos julgam alguém que não pode se defender? Por que tanto prejudicar a sua família com comentários desnecessários e dolorosos? Por que apontar os dedos sem olhar e imaginar que todos os seres humanos normais são falhos? Porque não se calar? Por que não parar de culpar? Pare! Pense”, clamou a comissária.

“Este homem tinha sonhos, objetivos, tinha uma família, tiveram filhos, amigos, esse homem amava o que fazia e lutou duro para dar o seu nome e fazer história na aviação boliviana. Nada disso foi em vão, tudo na vida tem uma razão e porquê, e não podemos fazer nada. Este piloto para mim morreu como um herói, e não digo isso só porque ele usa a mesma nacionalidade que eu no sangue, o outro porque ele ainda permitiu que a outra tripulação poderia ter um enterro digno e suas famílias poderia dar um último adeus para eles da forma como eles realmente merecem. Este piloto tem o meu respeito e sinceramente este piloto não morreu apenas hoje; voa mais alto e o time que levou para ganhar um título dos sonhos está subindo, para o céu, na direção da equipe de Deus! Micky Quiroga”, finalizou Ximena.