Confusão entre vereadores leva à suspensão de sessão na Câmara de Vera Cruz

    Episódio é mais um capítulo da crise política instalada na Casa desde o fim de setembro

    Foto: Lula Bonfim/Bahia.ba

    A sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Vera Cruz, realizada nesta terça-feira (14), foi suspensa após uma confusão envolvendo parlamentares da base e da oposição. O embate começou quando o vereador Fernando Niraldo (União Brasil) subiu à tribuna para fazer críticas contundentes ao vereador João do PT, provocando reações de seus apoiadores que estavam presentes no plenário.

    O presidente da Casa, Jorge Rasta (PDT), interrompeu a fala e exigiu mais respeito no discurso. Ele também pediu silêncio ao público, sob pena de encerrar a sessão. “Eu vou suspender a sessão por 10 minutos. Eu quero conversar com o líder do governo e com o vereador Niraldo. Não vou aceitar esse joguinho de vingança aqui na Casa. Não adianta me usar pra se vingar de ninguém. Estou suspendendo porque isso aqui não é palco de bate-boca”, afirmou o presidente.

    A situação se agravou quando o vereador Elton Castro (União Brasil) acusou o presidente de agir com parcialidade. Segundo ele, manifestações de apoiadores petistas teriam sido toleradas na sessão anterior. O clima tenso levou Jorge Rasta a suspender os trabalhos e convocar uma conversa com Niraldo e lideranças da Casa.

    Gritos foram ouvidos do lado de fora da sala onde a reunião ocorreu de forma reservada.

    Entenda o caso

    O episódio desta terça é mais um capítulo da crise política instalada na Câmara de Vera Cruz desde o fim de setembro. No dia 30, uma votação de emenda ao projeto de Refis — programa de refinanciamento de dívidas tributárias — terminou com dez votos contrários e apenas um favorável, o do próprio João do PT. O texto rejeitado previa limitar os valores pagos em honorários advocatícios à procuradora-geral do município, Itamara Pereira, cujo salário mensal, segundo o parlamentar, ultrapassaria R$ 80 mil.

    A derrota da emenda manteve em vigor a proposta original enviada pelo Executivo, que preserva os descontos em juros e multas, sem alterações nos honorários. Logo após a votação, João acusou o prefeito Igor Pinho (MDB) e a procuradora de participarem de um esquema de “rachadinha” para inflar salários de procuradores municipais — denúncia que aumentou as tensões políticas no Legislativo local.

    Além de Niraldo e Elton Castro, votaram contra a emenda os vereadores Jeovah Família, Apollo, Val da Caçamba, Fábio Costa, Tatinho, Marquinhos, Olímpio Lima e Ivan Filho. Netto Mola não compareceu e Jorge Rasta, como presidente, só vota em caso de empate.