Publicado em 21/11/2019 às 15h48.

Empresária acusa advogada e promotor de extorsão

O juiz Ricardo Dias de Medeiros Netto determinou o envio de cópia dos autos ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e à Procuradoria-Geral de Justiça

Rodrigo Aguiar
Foto: Divulgação/MP-BA
Foto: Divulgação/MP-BA

 

Ré em um processo que tramita na 1ª Vara Criminal de Camaçari, a empresária Adriana Almeida da Cunha acusou, em audiência realizada no último dia 5 de novembro, a advogada Fernanda Marques e o promotor Everardo Yunes de extorsão.

Como Yunes é detentor de foro privilegiado, o juiz Ricardo Dias de Medeiros Netto determinou o envio de cópia dos autos ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e à Procuradoria Geral de Justiça.

Na audiência, foram apresentados um contrato de prestação de serviço firmado com a advogada e a microfilmagem de um cheque emitido pela ré no qual consta como beneficiário o procurador.

Em seu relato, Adriana disse que, em uma reunião realizada em julho de 2015, Fernanda “assegurou que era mulher do promotor e que arquivaria tudo”, por um valor inicial de R$ 50 mil.

A empresária afirmou que assinou um cheque de R$ 30 mil, mas como “não viu resultado”, resolveu não pagar mais nenhum valor.

“Passou então a dra. Fernanda a exigir mais dinheiro, afirmando que, se não pagasse mais, não daria jeito, nada andaria, embora tivéssemos um acordo para que ela interferisse junto com seu marido, o promotor de Justiça Everardo Yunes”, disse a ré.

A empresária também apresentou à Justiça uma declaração de punho de Luís Antônio Santos, que teria participado da citada reunião e corrobora a narrativa de extorsão.

Por meio de nota, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) informou que a denúncia será apurada pela Corregedoria-Geral do órgão e pela Procuradoria-Geral de Justiça da Bahia.

“A instituição reafirma que não coaduna com qualquer prática ilegal de quem quer que seja e que, portanto, a apuração para esclarecimento dos fatos será absolutamente criteriosa e célere. De igual modo, o Ministério Público baiano colaborará com eventuais apurações do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), para onde o juiz da 1a Vara Crime de Camaçari encaminhou a representação recebida”, diz o MP.

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