Estudante indígena é presa por desacato e colegas protestam

    Segundo PM, estudante teria avistado os policiais e gritado: “Bala e fogo nas putas”.

    Foto: Reprodução/ Facebook

    Estudantes da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) protestaram nas redes sociais após a estudante indígena Fernanda Dantas Carneiro ter sido presa por desacato na noite de sábado (4), na cidade de Amargosa, acusada de injúria racial e desacato por policiais militares. A jovem foi liberada provisoriamente na manhã desta segunda-feira (6).

    De acordo com nota da Polícia Militar, agentes da 99ª Companhia Independente (CIPM) faziam rondas ao redor da Praça da Feira quando a estudante teria avistado os policiais e gritado: “Bala e fogo nas putas”. A PM alega que parou e solicitou os documentos da mulher, natural de Eunápolis, mas ela teria dito para ele “que não ia falar e nem respeitar policial preto”. A corporação. afirma ainda no comunicado que ela começou a se exaltar e os agentes deram voz de prisão por desacato e encaminhou a estudante para a delegacia.

    O Coletivo de Estudantes Indígenas na UFRB publicou uma nota de repúdio no Facebook e uma mobilização foi iniciada pela liberdade da estudante. Segundo o comunicado do coletivo, a expressão “Bala e fogo nas putas” é trecho de uma música do rapper baiano Vandal.

    “Ao ouvirem tal expressão, os policiais realizaram uma truculenta abordagem na estudante. Relatos de outros estudantes apontam que tais abordagens (que são conhecidos pelos estudantes como “enquadramentos”), são frequentes no público universitário que reside na cidade. Fernanda Pataxó é estudante da UFRB e militante das causas negra e indígena, como é de notório saber na cidade e universidade. Portanto, tal acusação resulta de interpretação equivocada por parte dos PM´s, pois dadas as condições étnico-raciais e de militância, ela seria incapaz de apresentar tal postura racista, já que se trata de uma pessoa indígena, preta e militante”, diz a nota.