Ex-aliado critica Débora Régis após deixar prefeitura de Lauro

    Em entrevista ao bahia.ba, Nervaldo Lacerda detalhou problemas que foram expostos em publicação nas redes sociais

    (Fotos: reprodução/Prefeitura de Lauro de Freitas e Redes Sociais)

    O ex-coordenador executivo da SEMPADHIR (Secretaria Municipal da Mulher, Políticas Afirmativas, Direitos Humanos e Promoção da Igualdade Racial) de Lauro de Freitas, Nervaldo Lacerda, fez uma série de críticas à gestão de Dra. Silvana na pasta e à postura da prefeita de Débora Regis (União Brasil) diante das pautas das minorias.

    Lacerda chamou a atenção nas redes sociais quando, em 12 de outubro, publicou na sua conta do Instagram um carrossel explicando os motivos para a sua saída da prefeitura. No relato, o Nervaldo Lacerda afirmou que a saída ocorreu após o trabalho dele ser desrespeitado, pela omissão da atual prefeita de Lauro de Freitas e pela forma como o trabalho na Secretaria de Direitos Humanos é conduzido.

    Em entrevista ao bahia.ba, o ex-coordenador afirmou que “as pautas da secretaria (minorias) não são relevantes para essa gestão. A omissão política da prefeita nesse segundo turno diz muito sobre a forma de pensar tanto da secretaria quanto da prefeita. Para mim é inconcebível uma filha da Itinga negligencie dessa forma.” Entenda o imbróglio.

    Nervaldo Lacerda voltou para a gestão de Lauro de Freitas em 2024

    O gestor público explicou que começou a trabalhar na prefeitura de Lauro de Freitas em 1989, comandada por João Leão (à época, no PMDB). Até 2022, Nervaldo afirmou que seguiu trabalhando na Prefeitura de Lauro de Freitas, assumindo cargos nos governos de Otávio Pimentel (pelo PMDB), Roberto Muniz (pelo PMDB), Marcelo Abreu (pelo PSDB), Márcio Paiva (pelo PP) e Moema Gramacho (pelo PT).

    Em 2022, saiu do município para ser diretor da Santa Casa de Santo Amaro.

    Quando Débora Régis, ainda enquanto vereadora, estava se articulando para concorrer à prefeitura, Nervaldo afirmou que foi combinado de que ela o chamaria de volta para trabalhar em Lauro de Freitas. Apesar do apoio que ele deu, Lacerda falou que Régis não cumpriu com o combinado. “Ela se elegeu, eu tentei algumas vezes falar com ela, não consegui, deixei para lá”, comentou.

    Ainda falando da eleição que ocorreu dois anos após a saída de Nervaldo Lacerda da Prefeitura de Lauro, o gestor afirmou que a atual secretária da SEMPADHIR e antiga colega de trabalho do período em que foi diretor do Pronto Atendimento Nelson Barros o convidou para ser coordenador executivo da pasta.

    “Eu apoiei ela para vereadora [em 2024] porque tinha uma amizade de mais de 20 anos. Quando eu fui diretor do Nelson Barros, ela era médica. Eu comecei a a fazer um trabalho para ela, político […] e continuei trabalhando na iniciativa privada. Quando ela assumiu a secretaria, ela foi na minha casa conversar comigo me chamar para ser o […] coordenador executivo. Como ela não entende nada de gestão, eu vim. Pedi demissão do outro trabalho e vim ajudar ela na na secretaria.”

    Gestor fala sobre interferência do marido de secretária na pasta

    Ao chegar na Secretaria Municipal da Mulher, Políticas Afirmativas, Direitos Humanos e Promoção da Igualdade Racial, Nervado Lacerda relatou que começou a ter problemas com o marido de Dr. Silvana, que, apesar de ser da PGM (Procuradoria-Geral do Município) de Lauro de Freitas, interferia nas decisões da pasta e participava do grupo no Whatsapp com toda a equipe.

    Segundo Lacerda, Dra. Silvana o colocou para realizar tarefas fora do escopo do cargo de coordenador executivo – como gerir licitações e compras – e pedia que o marido pressionasse o gestor público para que elas fossem executadas.

    “Aí eu cheguei: ‘Secretária, não tá dando certo, não. Ele tá me assediando, tá me desrespeitando.’ […] Aí ela pegou ar, tomou defesa dele”, revelou.

    Com a reclamação a responsável pela pasta teria começado a retirar atribuições do coordenador executivo, até que chegou a eleição e a situação se agravou.

    Secretária de Direitos Humanos decide apoiar candidata de extrema-direita

    Nervaldo Lacerda disse que, durante as Eleições Gerais de 2026, se recusou a apoiar a Roberta Roma (PL), eleita Deputada Federal, por ser uma candidata de extrema-direita. 

    “Tinha conversado com ela ‘Secretária, é uma incoerência. Uma pasta tão sensível como essa, com esses focos aqui, que é LGBT, direitos humanos, negros, a gente tem violência contra a mulher. É tudo oposto do que Flávio [Bolsonaro] prega, do que a extrema-direita prega’. Roberta Roma é esposa de João Roma, que foi ministro de de Bolsonaro. Então não cabe. Ela disse que foi determinação da prefeita.”

    O profissional contou que, inicialmente, o apoio da secretaria seria para a candidata Cibele de Teobaldo (União Brasil), mas que as tratativas falharam e o candidato escolhido para o apoio da secretaria foi Cacá Leão (PP). Contudo, o acordo também não seguiu adiante. Segundo Nervaldo Lacerda, os dois nomes o agradavam, já que o problema não era com a direita no geral (campo com o qual ele disse se identificar mais), mas com a extrema-direita.

    Depois de ter expressado insatisfação, o Dra. Silvana teria intensificado as medidas de afastamento de Nervaldo, tirando ele do grupo do Whatsapp com a equipe de trabalho e comentando nos corredores que iria pedir a exoneração do profissional.

    Diante disso, o ex-coordenador executivo contou que tentou falar com Débora Régis sobre a situação da pasta, mas que, novamente, não obteve resposta. Alguns dias após a eleição, uma subsecretária chamou Nervaldo Lacerda para comunicar a exoneração e a saída foi publicada no Diário Oficial de Lauro de Freitas do dia 8 de outubro.

    Diário Oficial de Lauro de Freitas do dia 8 de Outubro (Foto: reprodução/Prefeitura de Lauro de Freitas)

    “Muito TikTok, muita dancinha, mas sem efetividade”

    Em entrevista ao bahia.ba, Nervaldo Lacerda criticou a SEMPADHIR (Secretaria Municipal da Mulher, Políticas Afirmativas, Direitos Humanos e Promoção da Igualdade Racial) de Lauro de Freitas e falou que a pasta não propõe mudanças reais para os grupos atendidos, participando das reuniões dos conselhos de maneira apenas figurativa.

    “A gente fica decepcionado porque a gente pensou que seria de uma forma diferente e o que a gente percebe é muito TikTok, muita dancinha, mas, efetivamente, projeto e chegar coisa na ponta para quem mais precisa, não chega […] você pegar essas coisas tão importantes e ficar fazendo recorte TikTok dos eventos, que você não vê outra coisa a não ser evento. […] E a prefeita tá deixando a coisa correr solta”, disse Lacerda.

    O gestor público falou que tinha ideias para aplicar na pasta, mas, devido ao andamento da situação, não conseguiu colocar em prática.

    A reportagem do bahia.ba tentou contato com a Prefeitura de Lauro de Freitas e com a SEMPADHIR, mas, até o momento, não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.

    Ex-coordenador aponta omissão de Débora Régis

    Nervaldo Lacerda também criticou a omissão de Débora Régis sobre a situação na SEMPADHIR e a falta de posicionamento da prefeita para o segundo turno da eleição para Presidente da República.

    “Você tem que ouvir os dois lados e você tomar sua decisão. Se quisesse me exonerar, não tinha problema nenhum. Eu não tinha soltado nota nenhuma, porque eu fui ouvido pela prefeita […] Não tinha problema nenhum com isso. Mas o fato da prefeita ser omissa numa situação dessa e a pasta ser gerida para uma pessoa da extrema-direita, numa pasta sensível daquela, aí mexe comigo”.

    Lacerda também falou que a prefeita de Lauro de Freitas também “minou” candidatos da base e, para ele, essa decisão foi tomada com base em medo de perder a prefeitura para nomes fortes no município da RMS (Região Metropolitana de Salvador).

    “[Antônio] Rosalvo (PSDB), disse que estava na base, mas foi bem minado. Cibele [de Teobaldo], também da base, foi minada. Aí você tem é Tenóbio (PL), também da base, mas não teve nenhum apoio dela. Por que esses três não teve não tiveram apoio dela e foi minado na base? Porque mete medo a ela, de tomar prefeitura. Já, Cacá [Leão], Elinaldo (União Brasil), Pedro Tavares (União Brasil), não metem medo a ela. […] Se os outros se fortalecem dentro do município e saem candidatos a prefeito ou vice-prefeito, se juntar esses três aí e Decinho (PP) […] é uma prefeitura dela.”

    O bahia.ba também tentou contato com a prefeita Débora Régis, mas não recebeu resposta até a publicação do texto. O espaço segue aberto para manifestação.