Líder indígena de Santa Cruz Cabrália recebe prêmio da ONU

    Prêmio reconhece mulheres que contribuem para segurança alimentar, inclusão social e geração de renda ao redor do mundo

    Luena Pataxo, do Brasil, é premiada pelo Diretor Geral da FAO, QU Dongyu (Foto: FAO/Pier Paolo)

    A liderança indígena da etnia Pataxó e presidente da APIP (Associação de Pescadores Indígenas Pataxó) no distrito de Coroa Vermelha, no município de Santa Cruz Cabrália, Luena Maria Ferreira dos Santos (Luena Pataxó), foi uma das 100 mulheres homenageadas pela iniciativa global 100 Mulheres Heroínas da FAO nos Sistemas Agroalimentares e no Desenvolvimento Rural (FAO 100 Women Heroes in Agrifood Systems and Rural Development).

    “É uma honra ter o reconhecimento internacional da luta do meu povo indígena, que não é de hoje, e é diária. A homenagem não é para mim, estou representando a minha comunidade. Carrego comigo minha raiz e meus parentes indígenas. Somos os guardiões do meio ambiente”, afirmou Luena.

    “A nossa luta é tanto pela pesca artesanal quanto pela saúde e pelo reconhecimento das mulheres. A pesca artesanal é uma atividade que respeita a natureza – os ventos, os mares, a lua. Eles nos dizem quando é hora de parar.”

    Além dela, o Brasil teve uma segunda representante na lista, a pernambucana Joana Rodrigues Mousinho, uma das pioneiras da pesca artesanal no Brasil.

    O prêmio foi entregue na quinta-feira (15), em uma cerimônia realizada durante o Fórum Mundial da Alimentação (World Food Forum – WFF) e o Ano Internacional da Mulher Agricultora 2026, em Roma.

    Trabalho de Luena Pataxó melhorou vida dos pescadores e focou na valorização da cultura indígena

    Luena Pataxó, de 44 anos, é atual presidente do o Comitê de Relacionamento de Pescadores do extremo sul da Bahia, que reúne oito municípios e 13 associações. Mulher criou o  Grupo de Trabalho Indígena Nacional, através do Plano Nacional da Pesca Artesanal, liderado pelo Ministério da Pesca.

    Segundo informações publicadas pelo Ministério das Mulheres, a trajetória da líder indígena é marcada pelo empreendedorismo, pela valorização da cultura do povo Pataxó e pelo fortalecimento econômico das mulheres da comunidade.

    “Sob a liderança dela, a associação conseguiu melhorias para os pescadores locais, ampliou parcerias institucionais e implementou iniciativas voltadas à segurança no mar e à geração de renda para famílias que vivem da pesca artesanal, especialmente da pesca de camarão”, escreveu o Ministério das Mulheres.

    O trabalho de Luena Pataxó foi também reconhecido pelo Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, no qual conquistou o primeiro lugar na etapa estadual e o terceiro lugar na etapa nacional na categoria Produtora Rural.

    “Para a APIP, essa conquista reafirma a importância da organização coletiva e da presença das mulheres indígenas nos espaços de reconhecimento, decisão e construção de políticas públicas.
    Luena está em Roma, mas suas raízes estão na Bahia, em Coroa Vermelha. E é dessa terra, desse povo e dessa luta que vem a força que ela leva ao mundo”, escreveu a Associação.

     

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    Sobre a FAO 100 Women Heroes in Agrifood Systems and Rural Development

    A iniciativa FAO 100 Women Heroes in Agrifood Systems and Rural Development reconhece mulheres que contribuem para segurança alimentar, inclusão social, sustentabilidade ambiental, geração de renda e resiliência das comunidades rurais.

    A seleção feita pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) recebeu mais de 600 indicações de mais de 131 países.

    “Reconhecer Joana Mousinho e Luena Pataxó é dar visibilidade ao trabalho das mulheres da pesca artesanal, que alimentam nossas comunidades, protegem os territórios e preservam conhecimentos tradicionais. Suas trajetórias mostram por que as pescadoras precisam ser ouvidas e participar das decisões sobre as políticas que afetam suas vidas. Esse reconhecimento reforça a importância de garantir direitos, autonomia econômica e condições dignas de trabalho para essas mulheres”, declarou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.