Professoras da UESC denunciam suposta agressão de vereador de Ilhéus

    Tandick Resende (União Brasil) negou ter agredido a professora Élida Paulina e afirmou que "não é qualquer oportunista que vai fazer nome sobre minha pessoa"

    Confusão entre professora da UESC e vereador Tandick Resende foi denunciada nas redes sociais por ambos os lados (Fotos: reprodução/redes sociais)

    A professora da UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz) Élida Paulina Ferreira, de 62 anos, e a professora Celi Taffarel, de 75 anos, denunciaram, ao lado do PT de Ilhéus, uma suposta agressão do vereador e defensor público Tandick Resende (União Brasil). O parlamentar nega as acusações.

    De acordo com a denúncia, no sábado (10), o grupo estava conversando e distribuindo panfletos para a população, quando Resende teria tentado retirar o material de campanha das mãos da Diretora do Departamento de Letras e Artes da UESC.

    “Nos abordou com violência, com palavras de baixo calão, nos intimidando em uma manifestação pacífica”, disse Camila Maltez, presidente PT Ilhéus. “Isso é inadmissível, ainda mais de um defensor público”, afirmou a professora Élida Paulina.

    Imagens publicadas nas redes sociais mostram a confusão entre o grupo e Tandick Resende em frente a uma papelaria da cidade. Nos vídeos, um estudante que se identificou como Álvaro Garrido discutiu com o parlamentar em defesa do ato e da professora e foi afastado de perto de Resende por colegas. Uma outra publicação, mostra o parlamentar saindo do local sob vaias e gritando “É Flávio Bolsonaro”.

    Após a situação, a professora e o PT Ilhéus registraram um B.O. (Boletim de Ocorrência) contra Tandick Resende. Em nota a 1ª Delegacia Territorial (1ª DT/Ilhéus) informou que:

    “[…] apura uma ocorrência de injúria e calúnia contra seis pessoas, sendo cinco mulheres, de 75, 62, 48, 48 e 46 anos, e um homem, de 26 anos, no sábado (10), no Centro daquele município. Segundo informações da ocorrência, as vítimas teriam sido ofendidas verbalmente por um homem, de 57 anos, durante a distribuição de material de campanha eleitoral. Diligências e oitivas são realizadas para o esclarecimento dos fatos“.

    Vereador Tandick Resende chama grupo de “oportunista”

    O vereador Tandick Resende negou ter agredido a professora Élida Paulina e afirmou que “não é qualquer oportunista que vai fazer nome sobre minha pessoa“. Segundo o parlamentar, ele estava se dirigindo ao estabelecimento no centro de Ilhéus, quando avistou o grupo distribuindo panfletos.

    “Quando eu cheguei para entrar, tinha uma senhora distribuindo [panfletos], eu pedi pra ela um e quando eu falei assim : ‘é desinformação isso, né?’ Aí quando eu ia pegar ela puxou e rasgou”. No relato do vereador, o grupo partiu para cima dele após o ocorrido e o acusaram de ter agredido a docente. Tandick Resende ainda afirmou que Álvaro teria chamado ele de “vagabundo” e, no vídeo, chamou o jovem de “alteradinho da UESC”.

    “A pessoa chegar dizer que eu sou vagabundo, vindo de um militante esquerdista? Que Deus sabe de onde veio? […] eu tive educação dos meus pais”, declarou o vereador num vídeo publicado nas redes sociais.

    Associações de professores repudiaram suposta agressão do vereador

    Em nota, a ADUSC (Associação de Docentes da UESC) e a ADUNEB (Associação de Docentes da UNEB) repudiaram a suposta agressão do vereador de Ilhéus.

    “Reafirmamos nossa solidariedade às pessoas agredidas, em especial às professoras Élida Ferreira, Diretora do Departamento de Letras e Artes da UESC, e Celi Taffarel, professora visitante da Universidade. A queixa de agressão foi registrada na delegacia de Ilhéus e levaremos esta situação à Câmara Municipal, para que o vereador seja responsabilizado. Trata-se de uma atitude incompatível com a de alguém eleito para o Poder Legislativo Municipal”, escreveu a ADUSC.

    “A ADUNEB repudia mais essa violência da extrema-direita, levada a cabo por um vereador que, em uma única ação, atacou a democracia, o saber, a universidade pública, estudantes, a categoria docente, a divergência de pensamentos e duas mulheres idosas”, publicou a ADUNEB.