Publicado em 16/04/2026 às 12h36.

Relembre o caso que resultou na prisão do ex-deputado baiano Uldurico Jr.

Prisão preventiva é desdobramento de um caso que está sob investigação desde dezembro de 2024, em Eunápolis

Lívia Patrícia Batista
Uldurico Jr. é acusado de negocias R$ 2 milhões para facilitar fuga de 16 detentos em Eunápolis (Foto: reprodução/Bahia Sul News e Libras Online)

 

A prisão preventiva de Uldurico Alencar Pinto Jr. (MDB), nesta quinta-feira (16), é o desdobramento de um caso que está sob investigação desde dezembro de 2024, em Eunápolis. As investigações do MP-BA apontam que o ex-deputado negociou com organização criminosa o recebimento de R$ 2 milhões para facilitar a fuga ocorrida em dezembro de 2024, quando fugiram do Conjunto Penal de Eunápolis 16 internos.

No próprio mês da fuga, dois fugitivos que atuaram na ação foram presos, mas a busca pelos que ainda estavam foragidos atingiu rumos mais complexos.

Em janeiro de 2025, a ex-diretora do presídio, Joneuma Silva Neres, foi presa em caráter preventivo por ter facilitado a entrada de criminosos que ajudaram na fuga dos detentos. As investigações também indicaram a sua ligação com uma organização criminosa.

No mês de julho, ainda no decorrer das investigações, as investigações cumpriram mandados judiciais contra envolvidos na fuga do Conjunto Penal. Entre os presos durante esta operação estava um advogado, que, segundo as investigações, exercia papel ativo na estrutura criminosa – incluindo na articulação da fuga e o atentado -, com envolvimento direto na gestão de recursos financeiros oriundos do tráfico de drogas, além de prestação de contas e cobrança de metas semanais de arrecadação.

Após a prisão deste advogado, o nome de Joneuma Silva voltou ao centro das investigações após terem sido reveladas informações do processo que indicavam um romance entre a ex-diretora e Ednaldo Pereira de Souza, o “Dadá”, apontado como chefe de uma facção criminosa local e um dos foragidos após a fuga do Conjunto Penal em Eunápolis.

As informações do processo apresentavam, inclusive, relatos de que Joneuma e Dadá mantinham encontros frequentes na sala de videoconferência do presídio e de que o detento tinha regalias durante o cárcere. Apesar disso, a defesa da ex-diretora nega o envolvimento. Nessa época, a ex-diretora também foi investigada pela morte de um jovem.

O nome de Uldurico Jr. surge no interim do nascimento do filho de Joneuma, que deu a luz prematuramente ainda na cadeia. O ex-deputado foi alvo de uma ação de Joneuma solicitando alimentos “alimentos gravídicos” ao político, alegando que ele é o que ele seria o pai da criança.

Joneuma Silva foi transferida para a prisão domiciliar em março deste ano, mas as  investigações sobre o caso continuaram. Nesta terça feira (14), a Polícia Federal deflagrou a Operação Colligatio para apurar suposta prática de corrupção eleitoral e de organização criminosa envolvendo o candidato a prefeito de Teixeira de Freitas, no extremo-sul da Bahia, Uldurico Júnior (MDB) e líderes de facções criminosas que atuam em presídios baianos, o que desembocou na operação Operação Duas Rosas desta quinta-feira (16), que resultou na prisão preventiva do político.

Lívia Patrícia Batista
Lívia Patrícia é soteropolitana e atua como repórter de Municípios no bahia.ba. Já atuou na Agência Diadorim, no BP Money, no g1 Bahia e participou da segunda turma do Focas Estadão (Curso Estadão de Jornalismo) de Saúde.

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