Transporte superlotado de trabalhadores é flagrado em Seabra

    Passageiros relataram que trabalhavam desde junho na colheita de alho em fazendas de uma empresa mineira

    PRF flagra transporte irregular de trabalhadores em ônibus superlotado na BR-242, em Seabra (BA) (Foto: divulgação/PRF)

    Um ônibus que transportava trabalhadores em condições inadequadas de segurança foi flagrado na manhã de quinta-feira (8), no Km 409 da BR-242, em Seabra. O veículo havia desobedecido à sinalização de parada obrigatória no sistema Pare/Siga de uma obra na rodovia, passado sobre cones e seguido viagem.

    De acordo com a PRF, a equipe recebeu informações de um representante da empresa responsável pela manutenção asfáltica sobre a situação e por volta das 10h, os policiais identificaram e abordaram o ônibus.

    A fiscalização também identificou que o transporte interestadual remunerado de passageiros era realizado sem autorização da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

    A ocorrência foi encaminhada ao Ministério do Trabalho que realizará as tratativas pertinentes à sua área de atuação.

    Capacidade acima do permitido e pessoas sentadas nas bagagens

    Os oficiais constataram excesso de lotação no veículo, com sete pessoas acima da capacidade permitida e bagagens, colchões, caixas, malas e eletrodomésticos ocupando o corredor e os assentos do veículo. Passageiros estavam sentados sobre as próprias bagagens e encomendas, o que impossibilitava o uso dos cintos de segurança. O banheiro também estava ocupado por bagagens, impedindo sua utilização.

    O condutor relatou que transportava os trabalhadores de Matutina (MG) para Campo Formoso, no norte da Bahia, onde atuariam na colheita de alho. A viagem, de aproximadamente 1.600 quilômetros, custou R$ 450 por passageiro. O motorista alegou que desobedeceu à sinalização do bloqueio viário devido a problemas nos freios.

    Passageiros relataram que trabalhavam desde junho de 2026 em Minas Gerais

    Em entrevistas realizadas pela equipe da PRF, passageiros relataram que trabalhavam desde junho de 2026 na colheita de alho em fazendas de uma empresa do município de Matutina (MG). Segundo eles, o trabalho era remunerado por produção, e a contratação do ônibus havia sido intermediada por um organizador de trabalhadores, conhecido como “turmeiro”.

    O condutor e o veículo foram autuados por seis infrações de trânsito: exame toxicológico do motorista vencido, disco-diagrama do cronotacógrafo vencido, ausência do intervalo de descanso exigido para a condução, excesso de lotação, transporte de carga no compartimento de passageiros e transporte remunerado de passageiros sem autorização.