A bala perdida na sala da oposição, o mistério

    Presidente da Assembleia quer saber se a bala perdida é do mesmo calibre dos policiais da PM que fazem a ronda da área ou não

     

    Notícia também tem hierarquia e eis aí o caso típico de uma que descambou para a periferia midiática por conta de outra maior.

    No dia que a PF desencadeou a Operação Cartão Vermelho, contra Jaques Wagner, no episódio da Fonte Nova, o deputado Leur Lomanto (MDB), então líder da oposição, adentrou o seu gabinete no terceiro andar do Anexo Wilson Lins e teve a surpresa: uma vidraça estava estilhaça e na mesa, uma bala.

    De onde teria saído a tal bala perdida? O presidente Angelo Coronel (PSD) chamou a polícia para tentar esclarecer o caso. Quer saber se a bala perdida é do mesmo calibre dos policiais da PM que fazem a ronda da área ou não.

    — Pode ser que algum deles estivesse treinando e a bala richicoteou. Estou aguardando o resultado.

    Leur, o líder da oposição da época (hoje é Luciano Ribeiro, do DEM), se diz tão surpreso quanto perplexo:

    —É estranhíssimo. Eu não tenho inimigos, ninguém quer me matar.

    Tititti vitaminado

    O tititi da rádio corredor também ocupou o seu tempo com a Fonte Nova, mas nem por isso passou batido. Alguns governistas dizem que pode ser armação da oposição para dizer que a insegurança no Estado chegou até eles.

    Óbvio que a bala perdida não teve o impacto de 1964, quando 53 deputados foram cassados e nem dos incêndios que sacudiram a casa, mas dá para o gasto.