Frase da vez
“O poder não corrompe o homem. É o homem que corrompe o poder. O homem é o grande poluidor”
Ulysses Guimarães, político brasileiro (1916-1992)

Eduardo Cunha é um caso atípico na política brasileira. Esbanjou competência no exercício da presidência da Câmara, quase sempre usada para o mal. Mas espatifou-se atropelado pela arrogância, sua marca maior.
Sempre fez do ataque sua arma de defesa. Ainda político provinciano no Rio, já corrupto carimbado, jurava inocência e patrocinou 54 processos contra jornalistas cariocas.
Presidente da Câmara, candidamente se prontificou a ir depor na CPI da Petrobras como se dali pudesse produzir o atestado de inocência na Lava Jato. Ironicamente, foi lá que ele se estrepou ao dizer que não tinha contas no exterior, o que ele garante até hoje, embora os ministérios públicos brasileiro e suíço tenham levantado uma montanha de provas em contrário.
Acuado, levou um tempo acenando para os dois lados, o governo e a oposição, tendo o impeachment como trunfo. Se o governo desse a garantia de preservar-lhe o mandato, seguraria o pedido. Com a oposição, o oposto. Não conseguiu respaldo de nenhum dos lados, tocou o impeachment, deu no que deu.
Agora ele evoca a condição de herói do impeachment, com mais ênfase, como último apelo para livrar-se da cassação que o levará para a cadeia.
Diz ele em uma patética carta que sua cassação levará sua família à desgraça.
Ora bolas. Ver um corrupto carimbado tocar o impeachment foi um tabefe tão violento na dignidade nacional que mesmo os que queriam cassar Dilma correram do fedor que ele exalava.
A família também é vítima dele, no mínimo. Cunha, na sua cegueira egocêntrica, não consegue enxergar que antes de levar a própria família à ruína, levou milhares de outras, como fazem todos os surrupiadores do dinheiro público.
Em tempo: ninguém dá um vintém pela absolvição de Cunha. Em Brasília, se diz que a cassação dele é líquida e certa.

Munição previdenciária
Óbvio que a Previdência Social está virando um calo para qualquer governo, seja ele petista, como é o caso de Rui Costa, tucano, como é o caso de Geraldo Alckmin, em São Paulo, ou peemedebista, como Temer.
Diz o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) que o déficit em 2015 foi de R$ 85 bilhões, será de R$ 140 bilhões este ano e de R$ 180 bilhões em 2017, daí a necessidade da reforma que, de saída, propõe aumentar a idade para aposentadoria para 65 anos, de homens e mulheres indistintamente.
Seja como for, os opositores do governo, nas ruas bradando o Fora Temer, agradecem. Ganharam munição gratuita.
Em Nova Viçosa
O deputado Carlos Robson da Silva, o Robinho (PP), entrou no CNJ com uma representação contra o presidente do TRE da Bahia, o desembargador José Edivaldo Rotondano. A raiz do problema está na política de Nova Viçosa, no sul da Bahia.
O TRE está julgando uma liminar que pede a reintegração do presidente da Câmara, Antônio Oliveira, o Toninho (PTB), como prefeito; Rotondano pediu vistas e há duas sessões não devolveu.
O caso
No fim de maio, o TRE cassou o prefeito Márvio Mendes (PMDB) por crime eleitoral. Assumiu o segundo colocado de 2012, Manoelzinho da Madeira (DEM). Adversários entraram com uma liminar e, no início de julho, o presidente da Câmara, Antônio Oliveira, o Toninho, ganhou liminar para assumir, derrubada dois dias depois. Manoelzinho é candidato a prefeito agora. Disputa com Luciana Souza (PP), aliada de Robinho.

Presença quase zero
Se os deputados estaduais já vinham fingindo que a Assembleia funcionava no período eleitoral, ontem, véspera do 7 de Setembro, é que a pauta foi zero.
Desde o início do segundo semestre que a maioria dos parlamentares vai lá, bate o ponto e se manda. Por acordo de liderança, ninguém pede verificação de quórum e tem dias que a sessão só faz abrir e fechar.
Ontem, nem isso.
Servidor oculto
Um enorme sariguê passeava tranquilamente esta semana no jardim interno da Assembleia e caminhou na direção do restaurante.
Alguns diziam que ele mora na área, porque vez ou outra, com relativa frequência, sai para dar um passeio. E também que deve trabalhar na casa. Só não se sabe se é Reda ou funcionário de carreira.
O embate na ilha
Com sérios problemas, como a crescente favelização, a falta de saneamento e também segurança, Vera Cruz, o município que tem 90% da bela e esquecida Ilha de Itaparica, vive dias agitados com a acirrada disputa eleitoral entre cinco candidatos: Lau (PTC), Toinho (PSD), Vinicius (PMDB), Bispo Edson (Pros) e Professor Paulo (PSOL).
A briga está entre Lau, Toinho e Vinicius, este último, com as bênçãos de ACM Neto.
Hackeada em campanha
Candidata à reeleição, a prefeita de Aurelino Leal, Liu Andrade (PP), procurou a polícia para dar uma queixa fora do comum no interior baiano: o perfil dela no Face foi hackeado. Ela diz não ter dúvida de um fato: “Foi crime político”.
Apoio judicial
O PSB de Carinhanha vai ter que marchar com o candidato Paulo da Yonara (PT) por decisão do juiz Antônio Carlos Espírito Santo Filho.
O partido rachou entre essa opção e a do candidato do PDT, Geraldo Costa, o Piau, e o caso foi parar na justiça.

