Frase da vez
“Nós vivemos a temer o futuro, mas é o passado quem nos atropela e mata”
Mário Quintana, poeta gaúcho (1906-1994)
Até pensou-se que a Lava Jato ia passar e o mistério do velho metrô de Salvador não seria desnudado. O acordo de leniência da Camargo Corrêa, que revela um cartel incluindo a Andrade Gutierrez, as duas, parceiras na capital baiana, anima os interessados em saber o que houve de fato.
Recapitulando: quem ganhou a licitação foi a italiana Impregilo, que desistiu de forma suspeita, para a entrada do Consórcio Metrosal (leia-se Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, além da Siemens).
Resulta que o metrô, da Lapa até Pirajá, deveria custar R$ 280 milhões, passou para R$ 400 milhões, subiu para R$ 600 milhões, R$ 800 milhões, custou R$ 1 bilhão e 180 milhões e o pior: parou no Bonocô, com alguns pilares nas cercanias de Pirajá.
Seria um blefe se não fosse um escândalo, em parte revelado pela Operação Castelo de Areia, em 2009, nos escritórios da Camargo, para investigar a formação de um cartel que atuava em obras da Petrobras.
O metrô de Salvador entrou na história como um derivado. O Ministério Público Federal abriu outro processo e chegou a denunciar sete executivos: três da Impregilo, dois da Camargo e dois da Andrade.
O jurista Thomaz Bastos conseguiu no STJ derrubar a Operação Castelo de Areia alegando que foi com base em denúncia anônima, o que, por sua vez, invalidou o processo de Salvador. Enfim, a chance de se desvendar o mistério do metrô é agora.
Primeira investigação
A parte que o MPF investigou no metrô de Salvador, com base na Operação Castelo de Areia, envolveu apenas a banda empresarial. Quando ia entrar na banda política, parou. O metrô começou na gestão do ex-prefeito Antonio Imbassahy e complicou na de João Henrique.
O procurador Vladimir Aras, baiano, hoje trabalhando na Lava Jato, operou no caso.


