A lamentável declaração do ministro da Saúde

    Entrou no jogo. Infelizmente (para o povo)

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

     

    E eis que Marcelo Queiroga, médico e ministro da Saúde, o quarto da pandemia no governo Bolsonaro, ao negar atender à recomendação da Anvisa para instituir o passaporte da vacina, saiu com essa: ‘Melhor perder a vida do que a liberdade’.

    Surreal! Um ministro da Saúde, que deve, por ofício, promover atos e fatos para o bem estar comum, pensa que arranjou um jeito de sustentar a posição dos que se recusam a tomar vacina, como usar máscara e afins.

    O xis da questão é que quem assim age não prejudica só a si, mas ameaça o conjunto. E o pior é ver que vem de quem deveria evitar, embarcar na politização de uma questão técnica, e, mais que isso, numa área tão essencial como a saúde. Ou seja, entrou no jogo. Ou então teríamos o quinto ministro do setor na pandemia.

    Lições

    Como o Brasil na era Bolsonaro é sensação internacional, Queiroga entrou na roda, com o disparo de frases de personalidades como o indiano Mahatma Gandhi: ‘A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua. Existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência’.

    Mas já que Queiroga evoca a liberdade como valor maior que a própria vida, talvez encaixe melhor para ele a frase do escritor brasileiro Luís Fernando Veríssimo. ‘Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo’.

    Falou e disse.