A Lava Jato suga atenções e mina ações. Dá para a reforma política sair?

    Ela caminha a passo de cágado no Congresso, como as outras reformas, a da Previdência, a trabalhista e a tributária

    Frase da vez

    “Como nenhum político acredita no que diz, fica sempre surpreso ao ver que os outros acreditam nele”

    Charles de Gaulle, general que comandou a resistência da França na segunda Guerra Mundial e depois tornou-se presidente (1890-1970)

    Foto: Leonardo Prado/Câmara dos Deputados
    Foto: Leonardo Prado/Câmara dos Deputados

     

    Dá para fazer a campanha de 2018 como foi a de 2014, com cada um montando os seus carros de som, indo às gráficas fazer os seus santinhos e bancando suas andanças?

    O consenso: seguramente, não.

    Eis um dos pontos cruciais da reforma política, que está andando a passo de cágado no Congresso, como as outras reformas, a da Previdência, a trabalhista e a tributária.

    E a Lava Jato (com as delações da Odebrecht), não conturba o andamento dos trabalhos para se materializar novas regras?

    Com a palavra, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB), presidente da Comissão da Reforma Política na Câmara:

    — A Lava Jato perturba o país, a economia e tudo mais. Como não perturbaria a Câmara?

    Mas, apesar dos pesares, Lúcio se diz otimista quanto à reforma política acontecer. Não porque queira. É uma necessidade.

    Fim das coligações

    Duas PECs, a que proíbe as coligações e a da cláusula de barreira (limitar a existência de partidos), já passaram pelo Senado e estão na Câmara.

    O PSDB quer a presidência e os pequenos partidos, interessados na cláusula, a relatoria.

    Ficam faltando o modelo de financiamento de campanhas (com a saída de cena das empresas, o voto em lista tem grande chance) e a do sistema político.