A ponte Salvador-Itaparica está no gatilho. E os chineses na espreita

    "A Bahia jamais será a mesma depois da ponte. É um redesenho total", diz o vice-governador João Leão

    Animação: Secom/Gov-BA
    Animação: Secom/Gov-BA

     

    A Secretaria de Infraestrutura do governo vai soltar no máximo até o fim do mês o edital da ponte Salvador-Itaparica e do Sistema Viário do Oeste. Segundo o secretário Marcus Cavalcanti, só falta ele responder em torno de 146 perguntas de pouco mais de 200 formuladas na última audiência pública.

    — Vencido isso, que é coisa rápida, nada mais a cumprir. Já providenciamos até agenda na Bovespa.

    O preço não é dito, manda a lei, mas é certo que vai ficar bem abaixo dos R$ 7 bilhões inicialmente previstos.

    Nova Bahia

    Com a obra, a maior (e a grande) do governo Rui Costa, vai-se criar um novo vetor de crescimento para a partir de Salvador, uma península que hoje só tem duas saídas, uma pela BR-324 (que todos os dias ao meio dia e à tarde engarrafa na chegada) e pelo Litoral Norte, rumo a Sergipe.

    A previsão é de um impacto direto em 38 municípios, a começar pela Ilha de Itaparica (Vera Cruz e Itaparica), passar por Santo Antonio de Jesus e pelo baixo sul descambar por Valença até chegar em Ilhéus, que está em vias de iniciar a construção do Porto Sul e concluir a Ferrovia-Oeste.

    Entusiasta da ideia e piloto do projeto, antes como secretário do Planejamento e agora do Desenvolvimento Econômico, João Leão (que ontem retornou à ativa) diz que outra Bahia está vindo aí.

    — A Bahia jamais será a mesma depois da ponte. É um redesenho total.

    Marcação chinesa

    E está tudo indicando que não será por falta de interessados que a ponte Salvador-Itaparica vai parar, muito pelo contrário. Quatro grupos já procuraram o governo baiano atrás de informações, o principal deles, o China Railway Gruop Limited, o Crec, holding de uma série de outras empresas que congrega 20 Crecs, mais outras especializadas por setores, como pontes.

    Os chineses, que estão em Salvador estudando e debatendo o projeto há mais de quatro anos, articulam um pool de bancos, inclusive internacionais, para financiar o projeto e já trouxeram alguns para conversar com o governo.

    Na consultoria pública os chineses fizeram algumas observações, que até agora o governo não respondeu. Mas eles estão aí, ligadíssimos.