‘A sua autonomia talvez seja uma coisa mais da sua cabeça’, diz senador a Queiroga

    Humberto Costa (PT-PE) questionou o ministro da Saúde sobre se ele havia sido consultado pelo presidente sobre decreto de "ir e vir"

    Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

    O senador Humberto Costa (PT-CE) ironizou uma das declarações do ministro da Saúde , Marcelo Queiroga, que disse na CPI da Covid, nesta quinta-feira (6), que possuía autonomia no comando da pasta e que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) escuta as suas orientações.

    Para o parlamentar, o papel do ministro da Saúde é coordenador todo o processo de enfrentamento à pandemia de coronavírus e “dizer o que é certo e o que é errado do ponto de vista de política de saúde pública”. O senador ainda acusou Queiroga de se “esquivar” dos questionamentos sobre as suas opiniões.

    “O presidente da República tem sido um aliado do vírus e não um aliado do enfrentamento ao vírus. Vossa excelência diz que tem autonomia, que é ouvido. O presidente [Jair Bolsonaro] falou ontem desse decreto [contra as restrições de circulação], vossa excelência foi chamado para opinar sobre esse eventual decreto ou não?”, questionou o senador. “Não, senhor, senador”, respondeu o ministro. Humberto continuou: “É uma demonstração de que talvez sua autonomia seja uma coisa que está mais na sua cabeça do que do presidente”.

    Durante o seu depoimento na comissão parlamentar, Queiroga tentou minimizar o desgaste das gestões passadas e as polêmicas geradas pelo presidente Jair Bolsonaro em relação as medidas restritivas impostas por governadores e prefeitos, além do uso de cloroquina e ivermectina no tratamento de Covid-19, apesar dos medicamentos não possuírem eficácia comprovada pela ciência contra a doença.

    O senador petista também pediu que o ministro opinasse sobre as declarações de Bolsonaro referente a “guerra biológica” que teria sido criada pela China, mas ele evitou entrar em rota de colisão com Bolsonaro. Humberto queria uma explicação sobre se as declarações atrapalham a importação de insumos para a fabricação da CoronaVac pelo Instituto Butantan.

    “Vamos continuar trabalhando, senador, para manter as boas relações que o Brasil tem com a China. […] Amanhã temos uma audiência agendada com o embaixador chinês e estamos com muita esperança que vamos conseguir ampliar as nossas ações junto com a China”, disse.

    O senador mais uma vez ironizou a declaração. “Eu imagino que ajudou muito a fala do presidente e o senhor amanhã vai chegar na embaixada da China com o embaixador de braços abertos”.