A voz dos vaqueiros: ‘Viramos criminosos?’

    O vaqueiro Gilvan Santos Araújo, o Gilvan Locutor, emocionou (e se emocionou) aos que foram à Assembleia na sessão especial em defesa das vaquejadas

    Foto: José Cruz/Agência Brasil

    Com a palavra Gilvan Santos Araújo, o Gilvan Locutor, vaqueiro que “corre boi”:

    — Desde os seis anos aprendi a montar cavalo com o meu avó lá em Texto (Cardeal da Silva). Tenho dois filhos, um de 16 anos, outro de quatro, todos dois montam cavalo, o mais velho já corre boi. De repente, virei criminoso. Isso dói. Lembra aquela música do Renato Russo, Que país é esse?

    Gilvan emocionou (e se emocionou) aos que foram ontem à Assembleia na sessão especial em defesa das vaquejadas.

    Ele contou que está há seis semanas sem ganhar um centavo, por conta da proibição das vaquejadas pelo STF.

    — Aí vem toda uma cadeia, o queijeiro, o vendedor de amendoim, o motorista do caminhão que transporta os bois e por aí. Estão querendo transformá-los em criminosos, não pela vaquejada, mas pela falta delas.

    Ele resume a polêmica criada pelo STF com a proibição das vaquejadas no Ceará (válida para o país numa palavra: “Injustiça”.

    Inhambupe e a história do cavalo Clandestino

    André Sarmento, fundador e organizador da Vaquejada de Inhambupe (sempre no segundo fim de semana de setembro), tida como uma das cinco melhores do Brasil, além dos prejuízos com a extinção da festa teria uma perda extra, o cavalo Clandestino, avaliado em mais de R$ 500 mil, que corre vaquejada:

    — Só de prêmios ele já me deu quase R$ 1 milhão. É uma joia rara.

    O nome Clandestino, segundo André, é porque a regularização dele demorou um pouco.