Aceno de Moro a Bolsonaro é tiro no pé, avaliam juízes, associações e ministros do STF

    Para ministro, só de se aproximar do presidente eleito, juiz de Curitiba (PR) reforçará ideia de que Lula é um preso político

    Foto: Antonio Cruz/Wilson Dias/Agência Brasil/montagem bahia.ba

    Ainda que Sergio Moro rejeite o convite para ser ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PSL), ele já meteu os pés pelas mãos ao 1) sinalizar que considera a proposta e 2) se dispor a viajar para falar com o presidente eleito. A avaliação é de juízes federais, dirigentes de associações de magistrados e ministros do Supremo, informa a coluna Painel, da Folha de S. Paulo.

    De acordo com a publicação, a sinalização de Moro pegou colegas do primeiro grau de surpresa e indignou membros de cortes superiores. O simples aceno ao cargo, dizem, deveria forçá-lo a abrir mão de diversos casos. O responsável pela Lava Jato na primeira instância se encontrará com o presidente eleito nesta quinta-feira (1º), no Rio de Janeiro.

    Colegas do juiz símbolo da Lava Jato temem prejuízos não só a ele, mas a toda a categoria. Eles dizem acreditar que uma eventual composição entre Moro e Bolsonaro vai desencadear questionamentos às decisões do juiz de Curitiba e também de todos os colegas que se projetaram com o combate à corrupção.

    Um ministro do Supremo diz que, só de se aproximar de Bolsonaro, Moro vai reforçar a ideia de que Lula é um preso político e alimentar as acusações de que atuou por motivações pessoais e de que deveria ter se declarado suspeito de julgar o ex-presidente.