Publicado em 17/11/2023 às 09h21.

Polêmica do ‘ACM Neto pardo’ não foi decisiva para perda de eleição, diz ex-prefeito

Ele atribui derrota para Jerônimo (PT) ao uso da máquina estadual e ao peso do nome de Lula na campanha petista em 2022

Alexandre Santos
Foto: Reprodução/Redes sociais

 

ACM Neto (União Brasil) afirmou acreditar que a polêmica em torno de sua autodeclaração como pardo não influenciou para sua derrota na disputa pelo governo da Bahia em 2022. Na avaliação do ex-prefeito de Salvador, o peso do nome de Lula na corrida presidencial e o uso da máquina estadual foram decisivos para que um desconhecido Jerônimo Rodrigues (PT) se elegesse.

“Primeiro, que eu não tive benefício nenhum, para deixar bem claro. Eu não precisava gozar desse benefício. Quando eu me autodeclarei, não o fiz pensando em benefício. Segundo: é fácil ser engenheiro de obra pronta. Se a gente voltasse no passado, poderia fazer diferente para evitar polêmica”, disse o ex-prefeito na noite desta quinta-feira (16), durante sua participação no BahiaCast, podcast apresentado por Sergio Nunes e Pedro Valente.

ACM Neto reiterou que sempre se identificou como pardo. No pleito do ano passado, porém, o advogado de sua campanha decidiu enviar à Justiça Eleitoral sua autodeclaração como “branco”. E novamente refutou ter passado por qualquer procedimento de bronzeamento artificial.

A seguir, os principais trechos sobre a polêmica:

Questão causou incômodo

“Acho que trouxe um ruído, sim. Acho que deu um discurso e trouxe um tema que não precisava estar na eleição. Confesso que isso me causou um mal pessoalmente, porque contraria tudo o que eu acredito e o que eu pratico […] Quando podiam suscitar se eu fiz bronzeamento artificial etc. Não acho que foi decisivo para eleição, mas acho que atrapalhou.”

“Se eu voltasse no passado, polêmica não existiria”

“Quando eu falo que é fácil ser engenheiro de obra pronta, é que, se a gente voltar no passado e você botar lá ‘branco’, a polêmica não iria existir. Estava tudo certo. Como eu não me beneficiei de nada, eu não faço um julgamento com o olhar de hoje de tudo o que aconteceu. Eu faço um julgamento com o olhar do dia em que me inscrevi.”

Exploraram o assunto de forma “absurda”

“Porque não tinham o que falar de mim. Não podiam me chamar de incompetente. Não podiam me chamar de mau gestor. Não podiam me chamar de corrupto. Aí criaram essa polêmica toda, que foi muito explorada na eleição e que eu lamento profundamente que tenha acontecido.”

“Não sabiam que era Jerônimo”

“Duas coisas foram definitivas. A mais importante: o 13, de Lula. Muitos votaram em Lula, não votaram em Jerônimo. Nem sabiam que era Jerônimo, com todo respeito a ele. “A outra coisa definitiva foi a estrutura e essa máquina muito poderosa do governo do Estado, que estava com muito dinheiro no ano passado e que foi usada fortemente, mobilizando prefeitos, deputados etc, contra mim.”

Influência no Judiciário e controle de setores da imprensa

“Eu não tinha essa estrutura. Não tinha o dinheiro que eles tiveram. Não tinha a influência no Judiciário que eles tinham. Não tinha o controle de diversos setores da imprensa, que eles tinham. E aí é a soma de tudo isso, que se resume na força da máquina e da estrutura do Estado. Do outro lado, o 13. Esses foram os elementos decisivos.”

 

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