Os candidatos ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil) e Jerônimo Rodrigues (PT) adotaram estratégias diferentes no primeiro programa eleitoral na televisão, exibido nesta sexta-feira (28).
Enquanto Neto usou a estreia para apresentar a experiência de oito anos à frente da Prefeitura de Salvador como credencial para administrar o estado, Jerônimo apostou na continuidade das gestões petistas e na associação de seu governo às administrações de Jaques Wagner e Rui Costa e à relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A diferença de abordagem também aparece nos temas priorizados. Neto concentrou o discurso em segurança pública, saúde, educação, desenvolvimento do interior e geração de oportunidades. Jerônimo deu maior destaque a obras, investimentos e políticas públicas executadas durante os governos do PT na Bahia, além de apresentar a parceria com Lula como elemento para uma eventual nova gestão.
Neto aposta na experiência em Salvador
Neto estruturou a propaganda a partir de sua experiência como prefeito de Salvador entre 2013 e 2020. O candidato apresentou a administração da capital como referência para um eventual governo estadual e afirmou que pretende transformar a Bahia em uma referência nacional em gestão.
Ao abordar sua relação com o estado, Neto recorreu a elementos pessoais e familiares para construir uma imagem de identificação com o eleitorado baiano.
“Eu amo a Bahia, amo essa terra. E, quando eu volto à minha infância, tem aquela memória muito forte do orgulho de ser baiano”, afirmou Neto.
Na sequência, o candidato associou sua trajetória administrativa ao projeto para o governo estadual. “O que me move é acreditar que é possível fazer um governo que seja uma referência para o Brasil, como nós fizemos na Prefeitura de Salvador”, disse.
O programa também recuperou a evolução do desempenho eleitoral de Neto em regiões mais pobres de Salvador. A propaganda destacou que, em 2012, ele perdeu em praticamente todas as zonas eleitorais dessas áreas e que, quatro anos depois, obteve algumas de suas maiores votações nesses locais.
Segurança e interior entram no centro do discurso
Entre os principais problemas apontados por Neto estão a violência, a fila da regulação na saúde e as dificuldades de acesso a serviços públicos no interior.
O candidato também colocou o desenvolvimento econômico fora da capital como uma das prioridades de sua plataforma.
“A Bahia só vai dar um salto de desenvolvimento se o interior crescer. Não tem outro caminho. É fundamental, é essencial levar crescimento para o interior”, afirmou.
Na área de segurança, o discurso foi mais contundente. Neto afirmou que pretende transformar o combate à violência em uma das marcas de seu eventual governo.
“Eu quero ser o governador que vai ser lembrado por ter tirado a Bahia dessa pouca vergonha da insegurança, ter resolvido o problema da violência, ter feito a fila da regulação andar e levado saúde para o interior, governador que mudou a condição da educação pública no nosso estado e que devolveu a oportunidade às pessoas de trabalharem, de vencerem na vida aqui”, projetou Neto.
A fala reúne diferentes promessas em uma única mensagem e estabelece uma linha de contraste com a situação atual do estado, sem apresentar, na estreia, o detalhamento de como as medidas seriam executadas.
Jerônimo aposta na continuidade
O programa de Jerônimo adotou caminho diferente. Em vez de concentrar a narrativa na trajetória pessoal do candidato, a propaganda apresentou o atual governador como parte de uma sequência de governos petistas iniciada com Jaques Wagner e continuada por Rui Costa.
A mensagem central foi a de que a Bahia passou por transformações nos últimos anos e que o próximo passo seria ampliar esse processo.
O programa mostrou obras e investimentos em áreas como transporte, saúde, educação e emprego. Entre os exemplos apresentados estão a expansão do metrô, a nova Rodoviária de Salvador, o VLT, a rede de hospitais e policlínicas e a ampliação do ensino em tempo integral.
A propaganda, portanto, procurou transformar obras e políticas públicas em argumento eleitoral para a reeleição. Assim como no programa de Neto, os resultados foram apresentados a partir da perspectiva da própria campanha, sem contrapontos no material exibido.
Origem e ligação com Lula
Jerônimo também utilizou sua trajetória pessoal para reforçar a identificação com o eleitorado. O programa destacou sua origem como filho de vaqueiro, sua ascendência indígena e sua experiência em diferentes regiões da Bahia.
A narrativa estabelece uma relação entre a história pessoal do candidato e a proposta de continuidade administrativa.
Outro elemento central foi a associação com Lula. A campanha apresentou a parceria entre o governador e o presidente como instrumento para a atração de novos investimentos e projetos para a Bahia.
A mensagem foi construída em torno da ideia de que o estado não deveria interromper o processo iniciado pelos governos petistas.
Dois discursos para a mesma disputa
Na estreia, Neto e Jerônimo apresentaram visões diferentes sobre o caminho a ser seguido pela Bahia.
Neto construiu sua mensagem a partir da ideia de mudança de gestão. O principal ativo apresentado foi a experiência acumulada na Prefeitura de Salvador, acompanhada de críticas a problemas como violência e dificuldades na saúde.
Jerônimo, por outro lado, estruturou o programa em torno da continuidade. O governador procurou vincular sua administração aos governos de Wagner e Rui Costa e aos investimentos realizados no estado, além de reforçar a aliança com Lula.
A diferença também está na maneira como os candidatos falaram do futuro. Neto apresentou problemas estaduais como justificativa para uma mudança administrativa e prometeu levar para a Bahia o modelo que atribui à sua gestão em Salvador. Jerônimo utilizou obras e investimentos como evidências de uma transformação que, segundo sua campanha, já está em curso e deve continuar.

