O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) rebateu, nesta sexta-feira (6), as avaliações de adversários políticos que apontam uma possível derrota de seu grupo na disputa pela Prefeitura de Salvador em 2028. Durante entrevista à rádio CBN Salvador, o ex-gestor reconheceu a força do PT na capital baiana, mas afirmou que o resultado das eleições estaduais de 2026 não determina o cenário da próxima eleição municipal.
Questionado sobre o avanço dos petistas na cidade, Neto destacou que seu grupo político também tem força e afirmou que não pretende recuar diante das manifestações de opositores.
“Se de um lado eles tem um grupo que é forte, a gente reconhece, que tem peso político, do lado de cá nós também temos. E ninguém aqui tem medo, vai se acovardar, vai baixar a cabeça. A gente vai trabalhar. É lamentável essa manifestação de ódio político”, disse.
“Eu já ganhei e já perdi eleições, sempre que ganhei – e é importante saber ganhar, tem que ter humildade na vida. Em 2012 quando eu ganhei a eleição para prefeito, Salvador muito dividida, e no dia seguinte eu comecei a governar para todos. Você não vai ser governador ou prefeito de uma parte das pessoas e sim do todo”, acrescentou.
O ex-prefeito ainda criticou o que classificou como comportamento de ódio político por parte de lideranças do PT na Bahia, citando o governador Jerônimo Rodrigues, o ministro Rui Costa e o senador Jaques Wagner.
“É lamentável que esse tipo de manifestação aconteça, alimentada por Jerônimo, Rui Costa, Jaques Wagner, todas essas figuras do PT da Bahia e eu falo isso com muita clareza”, afirmou.
ACM Neto cita histórico eleitoral de Salvador
Ao projetar a disputa de 2028, ACM Neto disse que as eleições estaduais e municipais têm dinâmicas diferentes. Ele lembrou que, apesar de o PT ter vencido disputas pelo governo da Bahia em eleições anteriores, o partido nunca conseguiu eleger um prefeito na capital baiana.
“Eleição estadual não determina necessariamente a eleição municipal, e os grandes exemplos disso aconteceram justamente aqui em Salvador. Nas últimas eleições o PT ganhou para governador e nunca fez o prefeito da capital. Não há na história de Salvador nenhum episódio onde o PT tenha vencido as eleições para prefeito”, declarou ACM Neto.
O ex-prefeito também comparou o atual cenário com o de quatro anos atrás, quando seu grupo foi derrotado na eleição estadual. Na ocasião, segundo Neto, adversários também projetavam dificuldades para o prefeito Bruno Reis (União Brasil) na disputa municipal seguinte.
Para ele, o contexto atual é mais favorável ao grupo político que administra Salvador. Entre os fatores citados está a relação com a Câmara Municipal, que, de acordo com o ex-prefeito, era mais delicada no início da gestão de Bruno Reis.
Neto mencionou ainda o processo de escolha da nova presidência da Câmara de Salvador, previsto para a próxima segunda-feira, e destacou a existência de um consenso em torno do nome do vereador Alexandre Aleluia.
“Quatro anos atrás, quando nós perdemos a eleição para o governo do estado, eles diziam a mesma coisa: que iriam aniquilar Bruno, que iam ganhar a eleição contra Bruno, e o contexto há quatro anos era mais difícil do que o atual”, avaliou.
Cenário econômico de Lula
Outro ponto levantado por ACM Neto foi a conjuntura nacional. Ele afirmou que, em 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia sido eleito em um cenário de maior expectativa econômica, enquanto o atual momento do governo federal seria mais desafiador.
Na avaliação do ex-prefeito, o PT também precisará fazer mais concessões políticas para garantir a governabilidade, o que pode influenciar o cenário eleitoral de 2028.
“O PT tendo que fazer muito menos concessões do que vai ter que fazer agora para conseguir governar. Eu diria que vai cair do cavalo quem apostar que em função do resultado de 2026 já tem alguma coisa decidida para 2028”, afirmou.
“Nós temos uma história em Salvador, transformamos a cidade, Salvador sabe o que era a cidade antes da minha gestão e depois do meu governo”, finalizou.

