ACM Neto torce para Geddel virar ministro de Temer

    Prefeito de Salvador diz que possível chegada do PMDB ao poder “não interfere” na composição da sua chapa na eleição municipal

    Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Divulgação

    O prefeito ACM Neto (DEM) revelou, em entrevista coletiva nesta terça-feira (20), que torce pela indicação do presidente estadual do PMDB, Geddel Vieira Lima, para compor o ministério de um eventual governo de Michel Temer.

    O democrata disse não se intimidar com a ressurgimento do aliado no plano nacional – foi ministro da Integração Nacional no governo Lula e vice-presidente da Caixa Econômica no primeiro mandato de Dilma Rousseff – e afirmou que o clima entre eles é de “construção”. “Eu torço que ele esteja forte e possa nos ajudar bastante. A minha preocupação é que a cidade possa atravessar esse rubicão da crise”, afirmou o gestor, ao apontar ter sido “enrolado pelo governo da presidente Dilma”.

    A reclamação é sobre um dos principais projetos da prefeitura – o BRT – cuja dotação de recursos foi prometida pela mandatária em público, mas até hoje o dinheiro não foi liberado. Caso Temer de fato assuma o comando do país, a expectativa de Neto é de que o projeto “possa acontecer” ou “esteja encaminhado” ainda para a sua ou para a próxima administração. Mesmo assim, a Lei Eleitoral pode atrapalhar, já que o prazo-limite para a destinação da verba seria junho. “Existe um calendário eleitoral que talvez impeça, mesmo que seja vontade do governo, a assinatura de determinados convênios ou contratos”, ponderou.

    Neto insiste na tese de que só discutirá o processo eleitoral em “ritmo de forró” e pontuou que o fôlego peemedebista não implicará na composição da chapa liderada por ele – mesmo que abdique de disputar a reeleição. “A minha relação com o PMDB é de absoluta parceria e também de amizade. Jamais cogitaria partir para um projeto eleitoral agora ou no futuro sem o PMDB, sem o PSDB, sem os dez partidos aliados”, listou.

    Vice de Temer por dois anos quando o peemedebista era presidente da Câmara dos Deputados, o prefeito diz ainda ter uma “expectativa positiva” em relação ao possível futuro governo. “Sei que ele é um homem que tem espírito público e visão nacional. Tem todas as condições de construir uma boa relação com o Congresso, com o Judiciário, com a sociedade e com governadores e prefeitos em todo o país. O vice-presidente Michel Temer conhece as pautas de Salvador, até porque ele foi o avalista e interlocutor de acordos firmados no ano passado com o governo federal, acordos que não foram cumpridos. […] Nós só queremos uma coisa: atenção à cidade”, avisou o prefeito.

    Presidente do conselho político do DEM, Neto participou de um jantar com Temer na semana passada, mas diz que o partido não pretende indicar nomes para ocupar cargos, embora possa assumir “se for convidado”. “Não vamos fazer barganha, jogo de interesse ou toma lá, dá cá. O Democratas não precisa de boquinha em governo. Se o vice-presidente tiver condições de chegar e apresentar uma agenda positiva para o país, terá a nossa inteira e irrestrita colaboração incondicional”, afirmou o prefeito.