Ações de Janja em questões do governo podem prejudicar negociações com o Centrão

    Os movimentos políticos de Janja podem desgastar as já delicadas negociações de Lula com o Centrão

    Janja, a esposa do presidente Lula, atraiu olhares ao comentar, nesta semana, sobre o apagão e privatização da Eletrobrás. A socióloga, diferente de primeiras-damas anteriores, tem tido participação ativa nos debates em torno do governo.

    Os movimentos políticos de Janja podem desgastar as já delicadas negociações de Lula com o Centrão. Com a minirreforma ministerial às portas, a primeira-dama se se articula nos bastidores para evitar que os ministérios ocupados por mulheres, como o da Saúde (Nísia Trindade), da Cultura (Margareth Menezes) e do Esporte (Ana Moser) sejam mantidos na atual configuração. O ministério da Saúde e do Esporte estavam entre os interesses dos partidos do Centrão, como o Republicanos, mas a tendência é que não haja mudanças nestas pastas.

    A primeira-dama também defendeu a permanência do ministro Wellington Dias no Desenvolvimento Social, pasta cobiçada pelo Centrão em troca de apoio político ao Palácio do Planalto. Após reunião com o próprio Dias, Janja afirmou, em julho, que a pasta é “o coração do governo”. Mas pode ser que ela perca essa queda de braço com o Centrão. O ministério responsável pela gestão do Bolsa Família é negociado com o PP e tem o deputado André Fufuca como possível sucessor de Dias.

    Além das trocas ministeriais, Janja também acumulou polêmicas por defender a eleição da presidente Nacional do PT, Gleisi Hoffmann, ao Senado caso o senador Sergio Moro (União-PR) perca o mandato. No dia seguinte à declaração, em 30 de junho, ela obteve auxílio da Presidência da República para divulgar uma live.