Advogados de Bolsonaro contratam pareceres de juristas para contestar delação de Cid

    A defesa do ex-presidente alega que colaboração premiada foi assinada em condições que prejudicaram caráter voluntário e espontâneo

    Foto: Isac Nóbrega/PR

    A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) lançou mão de mais uma estratégia para tentar tirá-lo de enroscos na Justiça.

    Conforme Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, os advogados decidiram contratar pareceres de juristas para contestar a validade da delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

    Segundo a coluna, o principal argumento a ser usado pelos defensores de Bolsonaro é de que o tenente-coronel estava em condições que prejudicaram o teor voluntário e espontâneo quando firmou a colaboração, condições exigidas pela lei para o acordo.

    “É evidente que a colaboração do Cid foi extraída às custas do esgotamento moral dele”, afirmou o advogado Paulo da Cunha Bueno. “É o exemplo mais deficiente de colaboração já feita no Brasil”, acrescentou, ao apontar que Cid ficou preso por quatro meses sem que fosse apresentada uma ação penal contra ele.

    A movimentação da defesa de Bolsonaro coincide com o debate na Câmara dos Deputados de um projeto de lei que veda a delação premiada de réus presos. Apesar disso, o advogado diz que sua iniciativa não tem relação com a proposta do Legislativo, embora apoie o projeto.

    “Com 11 anos de retorno da colaboração premiada ao nosso sistema jurídico, infelizmente precisamos admitir que o Brasil não está maduro para manter um instrumento tão polêmico quanto este”, defendeu o advogado.