Aladilce critica fala do prefeito sobre oposição: ‘Incompatível com cargo que ocupa’

    Mais cedo, em Águas Claras, Bruno Reis mandou a oposição 'olhar para o próprio rabo'

    Foto: Victor Queirós

    A líder da oposição na Câmara Municipal de Salvador (CMS), vereadora Aladilce Souza (PCdoB), lamentou e rebateu o que classificou como “linguajar chulo” as declarações feitas pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil), na manhã desta quinta-feira (23), durante um evento no bairro de Águas Claras, em Salvador.

    Ao bahia.ba, Aladilce criticou o “deboche” do chefe do Executivo municipal após os votos da bancada de oposição, durante a sessão de quarta-feira (22), que aprovou projetos polêmicos – entre eles o Projeto de Lei (PL) nº 424/2025, que altera dispositivos das leis nº 9.281/2017 e nº 9.148/2016 (Louos).

    A vereadora citou a fala do prefeito, que mandou a oposição “olhar para o próprio rabo”, e afirmou que esse tipo de declaração não é compatível com o cargo que ele ocupa.

    “É lamentável que um prefeito use termos tão chulos para se referir à fala de vereadores, ou de qualquer outra pessoa. É incompatível com o cargo que ele ocupa. Quem exerce funções públicas precisa ser referência de comportamento e atitude. Essa expressão que ele usou, de que a gente devia olhar pro próprio rabo, fala muito mais sobre ele e sobre sua postura como gestor, que não respeita os outros poderes”, afirmou Aladilce.

    Sobre os projetos, a vereadora disse que o Executivo ignorou recomendações do Ministério Público da Bahia (MP-BA) contrárias à aprovação das propostas questionadas pela oposição.

    “Votamos contra por entender que essas medidas usurpam prerrogativas da principal lei da cidade, que é o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU)”, destacou.

    A líder da oposição acusou o prefeito de dificultar a apreciação das matérias pelo Legislativo ao enviar “um pacotão com vários projetos complexos a partir de agosto”.

    Segundo Aladilce, se os projetos fossem discutidos conforme as exigências legais, levariam mais de um ano em tramitação.

    “A expectativa dele é que não haja debate. Se quisesse transparência, já teria iniciado o processo de revisão do PDDU, já que a maioria desses projetos trata de temas do Plano Diretor. É evidente que ele mandou tudo junto para encurtar os prazos”, afirmou.

    A parlamentar também citou os projetos 175 e 424, apontando falta de estudos técnicos e de outras exigências necessárias para a análise de matérias que, segundo ela, permitem alterações em áreas de preservação, nos gabaritos de construção da orla e no sombreamento das praias.

    “O Plano de Saneamento, por exemplo, passou por audiências públicas promovidas pela própria prefeitura, mas a proposta inicial foi modificada na Câmara, e não tivemos tempo de analisar os impactos de todas as emendas. O da Cidade Inteligente também altera o PDDU e exigiria uma ampla discussão com a cidade”, acrescentou.

    Por fim, a comunista denunciou a falta de transparência da atual gestão, que, segundo ela, “tem sido a principal marca do governo Bruno Reis”. “Ele, de forma debochada, manda a oposição olhar para o rabo. Pois nós sugerimos que ele olhe para a frente, porque vai passar para a história como o prefeito das sombras”, criticou.

    “Tudo nessa administração é nebuloso, escondido. E o povo da cidade está vendo isso, está acordando e querendo dialogar, influenciar nos destinos da cidade. Não dá mais para aceitar que Salvador não tenha um Conselho das Cidades instituído, nem outras formas de controle social”, finalizou Aladilce.