Aleluia dá fim a mistério e não admite denúncia contra Temer

    O democrata havia virado a grande incógnita entre os três baianos que integram a CCJ, que aprecia o acolhimento ou não da denúncia de corrupção contra o presidente

    Foto: Gustavo Lima / Câmara dos Deputados

    O deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA) decidiu, passada a fase de indecisão, votar pela não admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, na tarde desta quarta-feira (12).

    O parlamentar baiano afirmou que não há provas suficientes para afastar o peemedebista. “O que estamos impedindo é que se afaste um presidente da República sem materialidade, simplesmente por força de uma narrativa forte, como disse o relator”, falou o democrata.

    “Torna-se evidente que estamos diante de uma decisão que se configurará em condenação antecipada do presidente da República, uma vez que, se for acolhida a denúncia, ele se afastará da função com todas as consequências para o presidente e sobretudo para a nação. Além da própria execração moral a que está sendo submetido antes mesmo do devido processo legal. Assim deve-se tomar cuidado ao decidir neste juízo de admissibilidade uma vez que está a falar da figura política institucional de maior relevo na república”, pontuou.

    Aleluia havia virado a grande incógnita entre os três baianos que integram o colegiado, que aprecia o acolhimento ou não da denúncia de corrupção contra o presidente.

    “A resolução de qualquer crise deve passar pelo estrito cumprimento dos dispositivos legais e constitucionais. E o dever de zelá-los deve ser desta Casa. Não estamos impedindo que as investigações continuem. […] O ordenamento jurídico deve ser o critério e a lei deve ser obedecida de forma estrita, e não baseada em interpretações ideológicas. Esta casa legislativa não pode permitir esta perigosa arbitrariedade que a Constituição pretendeu evitar”, continuou.

    Para finalizar o pronunciamento, o aliado de Temer deixou de lado tecnicidades e justificou o voto com a arte. Em paráfrase ao escritor Albert Camus, arrematou: “Se o homem falha em conciliar justiça e liberdade, ele falha em tudo”.