Almiro Sena: a crônica de um caso em que deu tudo errado, para o mal

    Caiu acusado de assédio, um constrangimento governamental, justo na Secretaria de Justiça, com um promotor de justiça indicado por evangélicos

    Frase da vez

    “Anima-te por teres de suportar as injustiças. A verdadeira desgraça consiste em cometê-las”

    Pitágoras, filósofo grego da antiguidade (580-497 a.C.)

    Foto: Mateus Pereira/ Secom
    Foto: Mateus Pereira/ Secom

     

    Não só nos meios jurídicos, mas também nos políticos, a condenação do promotor Almiro Sena a cinco anos e poucos de prisão, pautou rodas de conversas ontem.

    Entre promotores, nenhum trauma. Alguns dizem que as provas contra ele, acusado de assédio sexual por sete moças, nos tempos em que era secretário de Justiça e Direitos Humanos, são bastante contundentes.

    Entre políticos se diz que para além dos imbricamentos jurídicos, a aventura política em que ele virou protagonista resultou num final igualmente desastrado, óbvio que com o tempero do assédio..

    Ironia plena

    Ele assumiu a Secretaria no início de 2011 logo após a posse de Jaques Wagner no segundo mandato de governador, precedida de intensa polêmica no Ministério Público sobre a possibilidade de promotor assumir cargos de confiança no Executivo ou não. Ganhou, mas se esborrachou.

    Foi indicado pelo PRB, o partido da Igreja Universal. No início de 2014, o ano do fim do governo Wagner, Almiro Sena virou um farrapo moral. Caiu acusado de assédio com forte bombardeio midiático, um constrangimento governamental, justo na Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, com um promotor de justiça indicado por evangélicos, uma triste ironia.

    Mais: quando o PRB foi negociar o apoio a Rui Costa, fez de conta que nada aconteceu, e fez uma pedida alta. Rui e o PRB romperam aí. Dizem que foi a maldição de Almiro.