Apesar da gritaria, Mar Grande volta à sua rotina. Mas que jeito?

    Prefeito de Vera Cruz, Marcus Vinicius (PMDB), diz que jogar as esperanças na ponte é um erro: “Não é uma obra para nós. É para o turismo, uma estratégia de Estado”

    Frase da vez

    “A tragédia da morte consiste em que ela transforma a vida em destino.”
    André Malraux, escritor francês (1901-1976)

    Vera Cruz/Itaparica (Foto: Reprodução / TV Servidor)
    Vera Cruz/Itaparica (Foto: Reprodução / TV Servidor)

     

    A Agerba parece não ter se dado conta da vastidão da comoção que a tragédia da Cavalo Marinho provocou na Ilha de Itaparica.

    Como se nada tivesse acontecido, simplesmente liberou as lanchas da travessia para voltar à sua rotina segunda. Foi prontamente refutada. Lá, muita gente grita que lancha nunca mais. Preferem o ferry, embora mais longe. Mas hoje elas voltaram ao normal. Para a grande maioria, não há outro jeito.

    E é por causa dessa falta de alternativa que ontem o prefeito de Vera Cruz, Marcus Vinicius (PMDB), fez um périplo pela mídia para bradar em outro tom: por que o povo que mora na ilha tem que sair de lá para ir a Salvador rotineiramente? Porque lá não tem nada. Não tem faculdade, não tem emprego, não tem um hospital decente.

    Por fim, ele diz que jogar as esperanças na ponte é um erro: “Não é uma obra para nós. É para o turismo, uma estratégia de Estado”.

    – É por isso que o povo é obrigado a sair. Mas nós não queremos sair. Queremos ficar.

    Em suma, sempre esquecida, a ilha quer ser lembrada. Será que será?

    Os primeiros sinais indicam que ficamos na mesma: a rotina de sempre e a espera da ponte, agora acrescidos da dor pelos19 mortos.

    Sem vez

    Geraldino Lima, leitor, elaborou uma quadra que bem reflete o momento que Mar Grande vive:

    Sim, Mar Grande não tem vez
    Nunca teve nem agora
    Sua voz é plena surdez
    Enquanto seu povo chora