Apesar da Lava Jato, Odebrecht ficaria feliz vendo a Santa Dulce

    A amizade entre o 'Anjo Bom da Bahia' e o empresário que fundou uma das maiores construtoras do mundo: foi Norberto quem construiu o Hospital Irmã Dulce

    Foto: Obras Sociais Irmã Dulce (Osid)
    Foto: Obras Sociais Irmã Dulce (Osid)

     

    Dizem no mundo político que a Lava Jato produziu um erro grosseiro contra o Brasil. Ao invés de punir quem cometeu crimes, atacou as empresas. Na 2ª Guerra Mundial, a Bayer fabricou veneno para os nazistas matarem judeus nos campos de concentração, e a Volks era também fábrica de máquinas de guerra. As duas empresas até hoje estão aí, como orgulhos da Alemanha. Por muito menos, aqui no Brasil, a Odebrecht e a OAS quase morrem.

    Se vivo fosse, Norberto, o fundador da Odebrecht, falecido em 2014, faria 99 anos quarta última. A Fundação Odebrecht, por ele criada e onde ficou nos seus últimos anos de vida, reverenciou sua memória, justo na semana da canonização de Irmã Dulce, de quem era amigo.

    A orelha

    Foi ele quem construiu o atual Hospital Irmã Dulce. E apesar da Lava Jato, estaria feliz.

    Contava ele que Irmã Dulce certa vez o procurou pedindo ajuda. Começou a dar conselhos empresariais, querendo ensiná-la a administrar, ela coçava a orelha esquerda:

    — O que estou falando não lhe interessa, Irmã?

    — Não, meu filho. Estou apenas tapando uma orelha porque não quero que o que você está me ensinando entre por uma e saia por outra. Quero que entre por uma orelha, vá para o cérebro e desça para o coração.

    E ele concluía:

    — Nesse dia eu aprendi que Irmã Dulce falava três idiomas. O primeiro era o da mente, pelo desejo de aprender. O segundo era o do coração, aprendia para amar sempre mais. E o terceiro era o das mãos, pois praticava pelo amor o que aprendia.