Apesar de apoio de Bolsonaro, Rodrigo Pacheco diz que Senado será independente do Planalto

    Pacheco se disse honrado com apoio do presidente, mas afirmou que sua candidatura é do Senado - a partir de indicação do DEM e apoio de outros partidos

    Foto: Marcos Oliveira/ Agência Senado

    O democrata Rodrigo Pacheco (MG), candidato à presidência do Senado, rejeito o título de candidato do Palácio do Planalto. Apoiado pelo atual presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP), Pacheco tem a simpatia do presidente da República, Jair Bolsonaro.

    Em entrevista ao jornal O Globo, o candidato afirmou que sua candidatura é do Senado, inicialmente do Democratas, que o indicou, e posteriormente agregou outros partidos. No entanto, Pacheco se disse honrado com o que chamou de “manifestação de simpatia” por parte de Bolsonaro.

    “É uma isnalização importante de que nós teremos, caso eu seja eleito, uma relação de respeito, de diálogo para poder solucionar os problemas do país, mas sempre garantindo independência do Senado para a tomada de decisões livres, autônomas, com bastante respeito, mas com independência”, afirmou.

    Segundo Pacheco, a única conversa que teve com Bolsonaro foi na véspera de Natal, em 24 de dezembro, quando Alcolumbre o levou para discutirem a sucessão. O candidato democrata afirmou ao jornal que não houve qualquer pedido específico feito por Bolsonaro, embora o presidente tenha dito que espera uma mudança na mesa do Senado para levar adiante pautas de seu programa de governo.

    Pacheco também comentou o comportamento e as declarações de Bolsonaro que ameaçam a ordem democrática vigente, como aquela sobre manifestações piores do que a invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, no início de janeiro. Na ocasião da declaração, Bolsonaro defendeu a substituição do voto eletrônico por cédulas impressas – pauta que defende por alegar fraude no processo eleitoral brasileiro, ainda que não tenha apresentado até hoje qualquer prova sobre isso.

    “É algo que pode ser discutido. Não estou dizendo que sou favorável, até porque isso vai gerar custos significativos para a Justiça Eleitoral, mas é algo que pode ser discutido nas comissões do Senado para que se possa virar essa página. Nunca identifiquei um motivo concreto de fraude eleitoral e no meu íntimo a crença é de que há irregularidade e que não há fraude. Mas respeito o ponto de vista, até porque não sou dono da verdade”, ponderou Pacheco.

    O candidato do DEM disse ainda que não vai impor sua vontade sobre pautas a serem discutidas no Senado, mas defendeu discussões de PECs como a que cria mecanismos de ajuste fiscal, a de fundos públicos constitucionais e a do pacto federativo. Pacheco também elege três pontos que podem roteirizar as discussões na casa: saúde pública, desenvolvimento social e crescimento econômico.