Após conquistar comando do Congresso, DEM exige cargos no governo

    Com as presidências da Câmara e do Senado nas mãos, sigla reivindica cargos no governo, sem depender de critérios exclusivamente técnicos para indicações

    Foto: Heleno Rezende/PSD

    A conquista das presidências da Câmara e do Senado não foram suficientes para o DEM, que já se movimenta para crescer dentro do Congresso e do próprio Palácio do Planalto, no vácuo do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro.

    No Parlamento, a sigla pretende e já se articula para liderar as negociações com o governo em troca de cargos. No Planalto, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), acomoda, desde o início do ano, apadrinhados políticos de aliados na Esplanada dos Ministério, segundo informações do Correio Braziliense.

    O discurso no Congresso é de que o próprio Bolsonaro terá de pedir para o DEM auxiliar na articulação. Mas isso terá um preço. Em troca de apoio pela aprovação da reforma da Previdência, o governo está disposto a oferecer cargos de segundo escalão para baixo por meio do “banco de talentos”, mecanismo que tem por objetivo “profissionalizar” as indicações políticas. Inicialmente, a proposta foi ironizada por líderes e pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Agora, maturada, abriu caminho para a barganha de postos mais altos.

    Segundo o CB, há uma reunião de expoentes de partidos com Bolsonaro agendada para essa terça-feira (26), entre o líder do DEM e do bloco vencedor das eleições na Câmara, Elmar Nascimento (BA), quando irão colocar na mesa de negociações a proposta de que aliados ocupem cargos de primeiro escalão. Ou seja, ministérios.

    “Se o governo está achando que vai nos tratar com banco de talentos e segundo escalão, está se enganando. Não vai dar. Se quer governar só com militares, é uma escolha. Sem reforma ministerial, terá dificuldades para compor base. Ninguém está atrás de marmita. Poder, ninguém dá, tem que arrancar, e Elmar vai levar isso a ele”, afirma o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ).